Montenegro pede fim de cenário mundial de "insensatez" que faz subir preço do petróleo

O primeiro-ministro nota que a conjuntura penaliza as economias e as pessoas e garante que "ninguém está a tirar partido".

Resumo IA

• O primeiro-ministro condenou a subida do preço do petróleo, que penaliza economias e pessoas.

• Luís Montenegro destacou que Portugal terá a dívida pública abaixo dos 85% e já baixou o IRS seis vezes.

• O Governo vai continuar a trabalhar para resolver a instabilidade económica nas próximas semanas.

Resumo feito por IA e revisto pela redação da Rádio Comercial

O primeiro-ministro condenou este sábado a conjuntura internacional "difícil" que leva à insensatez da subida do preço do petróleo, que tem "penalizado as economias e as pessoas", pedindo o seu fim.

"Nós temos de resolver esta questão (...) nas próximas semanas, nos próximos tempos, esta insensatez de estarmos a penalizar as economias e as pessoas, de uma forma geral, de que ninguém está a tirar partido, e resolver este impasse", afirmou Luís Montenegro.

O chefe do Governo falava na cerimónia que assinalou o centenário do município de São João da Madeira, em Aveiro, celebrado na Casa da Criatividade.

O governante aludiu a esse contexto e à "incerteza que acarreta" para apontar ao "efeito que está a ter no abastecimento de bens essenciais, em particular nos combustíveis, cujo preço sobe de uma forma insensata".

"Porque não há nenhuma economia no mundo que não esteja a sofrer algum efeito do aumento do preço do petróleo, e por via disso, dos combustíveis, e muitos outros produtos cujo preço é inflacionado" pelo custo do transporte, atirou.

"Aqui, em São João da Madeira, quero evocar o princípio de não desperdiçarmos a força de ninguém, valorizarmos a força de todos. É isso que tem estado, e eu quero que esteja, nesta semana em que apresentámos o Orçamento do Estado, mais ainda, na visão da sociedade portuguesa, num tempo que nós sabemos que é um tempo extraordinariamente difícil. É um tempo muito difícil, fruto da instabilidade que sentimos no panorama internacional", lembrou.

Resolver a questão dos combustíveis não será suficiente, uma vez que "há outros fatores de instabilidade", das "guerras políticas, geopolíticas, e comerciais", disse.

"Não podemos deixar-nos ir abaixo, não podemos fraquejar perante a dificuldade", comentou.

O primeiro-ministro afirmou ainda ter articulado esta questão na Assembleia Geral das Nações Unidas e também "com os parceiros na União Europeia, o Parlamento Europeu" e demais países do sul do continente.

Salientando a força de trabalho de São João da Madeira, lembrou que também "na base do trabalho encontra-se sempre solução", acreditando "no talento, formando talento, detetando talento".

"Portugal é hoje, acreditem, um dos países com o maior reconhecimento internacional à escala mundial, não tenho dúvidas disso. Não há sítio por onde tenha passado, onde Portugal não seja destacado pelo seu exemplo. Qual exemplo? O exemplo de tenacidade, de resistência, de resiliência e de superação", acrescentou.

Montenegro atirou, sem concretizar, aos que "querem trazer instabilidades, mesmo do ponto de vista social, para dentro do país".

"Não vão vencer, também, esse objetivo, que é um objetivo negativo. Uma coisa é falar dos problemas, outra coisa é querer importar instabilidades que não tenham lugar aqui", defendeu.

Por outro lado, vê Portugal hoje como "um país com estabilidade económica, financeira, política, social".

Lembrando que o país "vai para o quarto 'superávit'" e terá, no próximo ano, a dívida pública abaixo dos 85%, Montenegro defendeu a estabilidade e capital de segurança acumulados a nível internacional para poder responder a condições adversas. 

"O que estamos a fazer em Portugal é, por assim dizer, uma espécie de espírito sanjoanense. Estamos a cobrar menos impostos sobre os rendimentos do trabalho. Significa que nós damos mais valor ao esforço que cada um faz nas tarefas que tem", disse.

O Governo baixou "seis vezes os impostos sobre o rendimento do trabalho, o IRS", e Montenegro destacou a valorização das pensões, para "retribuir por uma vida de trabalho", e os aumentos sucessivos do complemento solidário para idosos.

Na valorização do trabalho, frisou, também conta a redução do IRC e impostos sobre as empresas, criticando uma "visão muito limitada das políticas públicas" que os críticos da medida têm, que, na sua lógica, querem associar isto a "dar mais dinheiro aos mais avantajados da sociedade".

Para si, essa ação permite às empresas gerar melhores negócios, investir mais na inovação e acompanhar "os desafios dos mercados", bem como "pagar melhores salários".