Montenegro "não gostou do que viu" na atuação da PSP
Primeiro-Ministro diz que as autoridades avançaram sobre os manifestantes pelo direito à habitação em último recurso.
O primeiro-ministro disse esta terça-feira que também “não gostou do que viu” nas manifestações pela habitação, mas defendeu a atuação da PSP, depois de o Livre o ter acusado de “acicatar os ânimos”.
Esta troca de argumentos decorreu durante o primeiro dia de debate sobre a proposta de Orçamento do Estado para 2027, altura em que Isabel Mendes Lopes defendeu que o que aconteceu no fim de semana nas manifestações em Lisboa e no Porto foi “absolutamente injustificável”, acusando o chefe do executivo de “acicatar os ânimos” com a sua intervenção de abertura.
A também líder parlamentar lembrou que o Presidente da República, António José Seguro, apelou hoje ao diálogo entre partidos para resolver o problema, acusando Montenegro de não o ter ouvido.
Na resposta, Luís Montenegro rejeitou esta tese, afirmando-se disponível para dialogar mas sem deixar de defender os seus ideias, acusando o Livre de querer impor a sua visão.
Neste momento, o primeiro-ministro voltou à atuação das forças policiais nas manifestações em Lisboa e no Porto.
“A senhora deputada instou-me a poder reconhecer que as cenas de agressão de cidadãos a forças da autoridade ou de incumprimento da lei ou, eventualmente, a resposta por parte das forças da autoridade não são imagens que nós gostemos de ver. Claro que não, eu também não gosto de ver”, respondeu Montenegro.
O chefe do executivo acrescentou: “Daquilo que eu observei, as forças de segurança só intervieram mesmo em última, ‘ultima ratio’ [expressão latina para derradeiro recurso]".
Luís Montenegro considerou que “foi feito todo o esforço para que todos pudessem respeitar uns aos outros, para que todos aqueles que se quisessem e querem manifestar o possam fazer, mas que possam fazê-lo dentro daquilo que são as regras e no respeito pelos direitos dos demais”.
“Continuaremos a olhar para estes acontecimentos com preocupação, a ouvir, naturalmente, as pretensões das pessoas, mas também a pedir-lhes que respeitem os direitos dos outros e que respeitem o trabalho das forças da autoridade que a exercem em nosso nome”, concluiu.
