Montenegro perde recurso no Constitucional sobre acesso a dados da Spinumviva

Líder do Governo queria evitar o acesso público a dados da empresa como os serviços prestados ou o saldo das contas bancárias.

Resumo IA

• O Tribunal Constitucional rejeitou os recursos de Luís Montenegro sobre a divulgação de dados da Spinumviva.

• O primeiro-ministro não apresentará mais recursos e lamenta a incerteza legal.

• A nova declaração de interesses com a lista de clientes da Spinumviva foi submetida a 5 de maio.

Resumo feito por IA e revisto pela redação da Rádio Comercial

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, perdeu os recursos que tinha apresentado ao Tribunal Constitucional para tentar impedir que a Entidade para a Transparência autorize o acesso a dados da empresa Spinumviva, avança o Observador.

Está em causa o acesso público a dados como os serviços prestados pela Spinumviva ou o saldo das contas bancárias da mesma, justificando com o acesso a informações que podem colocar em causa os interesses de terceiros ou desrespeitar a reserva da vida privada de titulares de cargos políticos.

O semanário Expresso adianta que o primeiro-ministro "dá o assunto por encerrado" e que não vai apresentar mais recursos depois desta decisão dos juízes do Palácio Ratton.

De acordo com o jornal, o TC decidiu no dia 3 de novembro e notificou Montenegro. O gabinete do primeiro-ministro lamenta, numa resposta enviada ao jornal, que "volvido todo este tempo, continue por esclarecer qual a melhor interpretação da lei e que se perpetue uma situação de incerteza com efeitos na participação dos cidadãos na vida política“.

O gabinete defende que a nova decisão do TC é do âmbito processual e não do conteúdo dos recursos: ”Uma vez mais, porém, o Tribunal Constitucional não decidiu a questão de fundo, invocando argumentos de natureza formal e processual", lê-se na citação.

O que está em causa?

O Tribunal Constitucional confirmou à agência Lusa que o plenário proferiu, na terça-feira, dia 03 de novembro, uma decisão no âmbito dos dois processos (975/25 e 743/26) a envolver o primeiro-ministro, cujos acórdãos só serão disponibilizados depois do respetivo trânsito em julgado.

Em causa estão dois recursos com o objetivo limitar a consulta da declaração única do primeiro-ministro, travando a divulgação de elementos como as contas bancárias, os detalhes dos serviços prestados pela Spinumviva e as matrizes dos seus imóveis urbanos.

O primeiro recurso foi apresentado em agosto de 2025 e outro em maio de 2026, já depois de ter sido submetida à Entidade para a Transparência (EpT) por Luís Montenegro, a 05 de maio, uma nova declaração única de rendimentos e património na qual constava a lista de clientes da sua empresa familiar.

O diferendo entre Luís Montenegro e a EpT, órgão responsável por fiscalizar as declarações únicas de rendimentos dos titulares de cargos políticos e altos cargos públicos, remonta a abril de 2025, quando o primeiro-ministro se opôs à divulgação pública dos clientes da Spinumviva.

O primeiro recurso apresentado pelo primeiro-ministro para impedir essa divulgação foi rejeitado pelo Tribunal Constitucional, em março deste ano, por se considerar que foi ultrapassado o prazo legal para recorrer da decisão da EpT que o obrigava a divulgar os clientes da empresa familiar, embora não tenha sido avaliado o mérito da contestação.

Posteriormente, o TC rejeitou ainda uma reclamação apresentada pelo primeiro-ministro sobre essa primeira decisão, mantendo que não iria apreciar o recurso que interpôs por incumprimento dos prazos legais.

Depois dessa decisão, Montenegro submeteu, a 05 de maio, uma nova declaração de interesses com a lista dos 13 clientes da Spinumviva e a tipologia dos serviços prestados, que passaram a estar disponíveis ao público.

A lista de clientes publicada na plataforma da EpT não trouxe novidades relativamente àquela que já tinha sido divulgada por Luís Montenegro, em março deste ano, e pelo semanário Expresso, em abril de 2025.

O primeiro-ministro indicou os seguintes clientes: Rádio Popular, SA; Lopes Barata, Consultoria e Gestão, Lda; CLIP - Colégio Luso Internacional do Porto, SA; Ferpinta - Indústrias de Tubo de Aço de Fernando Pinho Teixeira, S.A; Solverde, Sociedade de Investimentos Turísticos da Costa Verde, S.A; Cofina S.A; Grupo Joaquim de Barros Rodrigues & Filhos Lda, Rodáreas - Áreas de Serviço, Lda; ITAU SA; Sogenave SA; Portugalenses Transportes SA; Beetsteel ; INETUM PORTUGAL SA e Grupel SA.

A maioria dos serviços prestados pela Spinumviva, também agora identificados na declaração de interesses, incidiu sobre proteção de dados pessoais e aplicação do Regime Geral de Proteção de Dados (RGPD), nos casos da INETUM, Grupel, Sogenave, Solverde, Ferpinta, CLIP, Lopes Barata, Cofina e Rádio Popular.

A empresa prestou também serviços de consultoria de gestão empresarial à Portucalense Beetsteel e à Portugalenses Transportes.

Um terceiro tipo de serviço identificado prende-se com a “reestruturação de uma empresa familiar de comércio de combustíveis” a envolver consultadoria de gestão, planeamento estratégico, apoio e “embandeiramento de estações de serviço” do grupo Joaquim de Barros e Rodrigues & Filhos, a gasolineira sediada em Braga.