Montenegro será intransigente com cortes no orçamento da UE e recusa “concurso de pedinchices”
“A Europa só terá maior competitividade se assegurar a coesão: coesão social, territorial e económica", avisa Luís Montenegro.
O primeiro-ministro recusou esta terça-feira entrar num “concurso de pedinchices” sobre o próximo orçamento da UE, avisando que será “intransigente” com cortes na política de coesão e sublinhando que Portugal contribui mais em termos proporcionais do que os países ‘frugais’.
Em declarações aos jornalistas antes de discursar no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, Luís Montenegro admitiu que está “preocupado” com as negociações do próximo orçamento da União Europeia (UE), para o período entre 2028 e 2034, e com a necessidade de “garantir o que está previsto nos tratados” relativamente à política de coesão, Política Agrícola Comum (PAC) e ao apoio às regiões ultraperiféricas.
“A Europa só terá maior competitividade se assegurar a coesão: coesão social, territorial e económica. Por isso, nós seremos intransigentes na nossa participação para obtermos o respeito por aquilo que está nos tratados sobre essa vertente”, avisou.
Depois, no discurso que fez perante os eurodeputados, Luís Montenegro insistiu que o próximo orçamento da UE deve financiar “novas prioridades”, mas “sem colocar em causa as políticas que continuam a ser essenciais para a convergência e para a competitividade de toda a Europa”.
“Portugal - quero aqui também dizer isto de forma clara, transparente e frontal - não encara o Quadro Financeiro Plurianual (QFP) como um concurso de pedinchices. Portugal vê o QFP como uma oportunidade de aprofundar um projeto social e económico que parte de um mercado interno só possível e viável com inovação e solidariedade entre todos os Estados-membros e todas as regiões”, sublinhou.
Apelando a que se faça a discussão sobre o próximo orçamento “sem dogmas e sem tabus”, Montenegro destacou ainda que “a contribuição portuguesa para o orçamento da União é superior às contribuições dos Estados-membros ditos ‘frugais’”, referindo-se à Alemanha, Dinamarca, Países Baixos, Áustria, Finlândia e Suécia, se for analisada em termos de proporção do Produto Interno Bruto (PIB).
“Há que reconhecer uma coisa simples, e às vezes as coisas simples estão diante de nós e nem sempre as vemos com clareza: dar 10 de 100 é muito mais do que dar 50 de 1.000”, sublinhou, ouvindo aplausos de alguns eurodeputados.
