Morreu a "madrinha do funk" Betty Davis
A carga sexual das suas canções influenciou nomes como Prince ou Madonna.
Morreu com 77 anos a cantora norte-americana Betty Davis, vista como uma lenda do funk e da soul dos anos 70.
O seu impacto musical, que a levou a ser aclamada como a "diva do funk" ou a "madrinha do funk", está concentrado nos anos 70, em três álbuns: o debutante "Betty Davis" (de 1973), "They Say I'm Different" (de 1974) e "Nasty Gal" (de 1975).
A ousadia do seu funk, muito cúmplice com os sons de Sly & The Family Stone, incluiu também letras pouco ortodoxas sobre sexo, nas suas várias vertentes - desde referências sado-maso a perspetivas mais sociais sobre a prostituição. A irreverência sexual de Betty Davis é analisada como uma influência para Prince e Madonna, que abordaram a temática dos prazeres carnais recorrentemente e com naturalidade nas suas canções.
De forma mais pessoal e biográfica, Betty Davis foi também uma influência de forma mais direta para Miles Davis, tendo mediado o encontro entre o trompetista de jazz e o lendário guitarrista blues-rocker Jimi Hendrix, e tendo-lhe apresentado novas sonoridades mais híbridas do final dos anos 60, como o caso dos Sly & The Family Stone. A viragem de Miles Davis para o funk, sentida em discos como "Bitches Brew" (de 1970), tem a mão de Betty Davis, que foi sua mulher durante um breve período.
Alguns dos músicos assumidamente admiradores de Betty Davis já se manifestaram nas redes sociais, como é o caso de Lenny Kravitz. "A sua expressão musical e de moda não tinha fronteiras".
#BettyDavis 07/26/1945 - 02/09/2022
— Lenny Kravitz (@LennyKravitz) February 9, 2022
This lady was hip before hip was hip. Her musical and fashion expression had no boundaries, and she influenced the likes of Miles Davis and Jimi Hendrix. ‘Nuff said. Rest in paradise, Queen. pic.twitter.com/cbj0mQFiRM
