Morreu aos 100 anos Alan Greenspan, o homem que comandou a Reserva Federal durante quase duas décadas
Alan Greenspan, presidente da Reserva Federal dos EUA (Fed) durante 19 anos, morreu esta segunda-feira aos 100 anos. O anuncio foi feiro pela mulher, Andrea Mitchell.
Alan Greenspan, uma das figuras mais influentes da história da política monetária moderna, morreu aos 100 anos. O economista norte-americano liderou a Reserva Federal dos Estados Unidos (Fed), o banco central mais poderoso do mundo, entre 1987 e 2006, atravessando quatro presidências e deixando uma marca profunda na economia global. Segundo informações divulgadas pela sua família, Greenspan morreu devido a complicações relacionadas com a doença de Parkinson.
A sua longa permanência à frente da Fed transformou-o numa referência incontornável dos mercados financeiros. Nomeado inicialmente pelo presidente Ronald Reagan, foi reconduzido por George H. W. Bush, Bill Clinton e George W. Bush, um feito raro que refletiu a confiança bipartidária na sua capacidade de conduzir a política monetária norte-americana. Durante os seus quase 19 anos no cargo, Greenspan enfrentou alguns dos momentos mais delicados da economia mundial, incluindo o crash bolsista de 1987, a crise financeira asiática de 1997, o rebentamento da bolha tecnológica no início dos anos 2000 e as consequências económicas dos atentados de 11 de setembro de 2001.
Nascido em Nova Iorque, em 1926, Greenspan iniciou a sua carreira longe dos bancos centrais. Estudou música antes de se dedicar à economia e construiu reputação como consultor económico e conselheiro de diferentes administrações norte-americanas. Antes de chegar à Fed, presidiu ao Conselho de Assessores Económicos da Casa Branca durante a presidência de Gerald Ford.
Ao longo da década de 1990, Greenspan tornou-se uma verdadeira celebridade económica. A expansão económica norte-americana, acompanhada por inflação relativamente controlada e desemprego em queda, levou muitos observadores a considerá-lo um dos principais arquitetos da prosperidade do período. A sua influência era tão grande que cada discurso ou testemunho perante o Congresso era analisado ao detalhe pelos investidores. O seu estilo de comunicação deliberadamente enigmático deu origem ao termo “Fedspeak”, utilizado para descrever a linguagem cautelosa e frequentemente ambígua dos responsáveis dos bancos centrais.
Mas o legado de Greenspan nunca foi consensual. Após a crise financeira global de 2007-2008, muitos economistas e reguladores apontaram a sua defesa da desregulamentação dos mercados financeiros e a manutenção de taxas de juro baixas durante longos períodos como fatores que ajudaram a criar as condições para a bolha imobiliária e para o colapso subsequente. O próprio Greenspan admitiu, anos mais tarde, que algumas das suas convicções sobre a capacidade dos mercados para se autorregularem se revelaram erradas.
Apesar das críticas, poucos responsáveis económicos tiveram uma influência comparável sobre o sistema financeiro internacional. Durante quase duas décadas, Greenspan foi visto como o guardião da estabilidade monetária dos Estados Unidos e uma das vozes mais escutadas da economia mundial.
Com a sua morte, desaparece uma figura central da história económica contemporânea. Admirado por uns, contestado por outros, Alan Greenspan deixa um legado que continuará a ser debatido por académicos, decisores políticos e investidores durante muitos anos.