Morreu Bino Branco, referência do funaná cabo-verdiano

O fundador dos Ferro Gaita morreu nos Estados Unidos, aos 56 anos.

O músico cabo-verdiano Carlos Alberto Pereira Lopes, conhecido como Bino Branco, vocalista e membro fundador dos Ferro Gaita, morreu no sábado, nos Estados Unidos, aos 56 anos, vítima de doença oncológica, informou uma fonte familiar.

Bino Branco encontrava-se nos Estados Unidos desde 2025, onde recebia tratamento para uma doença oncológica, segundo um diploma do Governo que, em junho, atribuiu-lhe uma pensão de Estado pelo contributo prestado à cultura cabo-verdiana.

Nascido em Cabo Verde, o músico destacou-se como intérprete, compositor e instrumentista, tendo no ferrinho, instrumento tradicional do 'funaná', uma das principais marcas do seu percurso artístico.

O ferrinho, instrumento tradicional do 'funaná', foi uma das principais marcas do seu percurso artístico.

Em 1996, fundou os Ferro Gaita com outros músicos, com o objetivo de recuperar a sonoridade tradicional do funaná, numa altura em que os instrumentos eletrónicos tinham ganhado maior presença no género.

O grupo lançou, em 1997, o álbum de estreia, "Fundu Baxu", que alcançou popularidade em Cabo Verde e entre as comunidades cabo-verdianas no estrangeiro.

Ao longo de mais de três décadas, Bino Branco participou em várias digressões dos Ferro Gaita pela Europa, África e América, levando o 'funaná' a públicos de diferentes países.

Com o grupo, gravou sete álbuns originais e colaborou com vários artistas cabo-verdianos. Editou também um trabalho a solo e dedicou parte do seu percurso à promoção de ritmos tradicionais de Santiago, incluindo o 'batuku' e a 'tabanka'.

Antes dos Ferro Gaita, integrou outros grupos musicais, entre os quais o Grupo Djassy, onde foi vocalista principal.

Em 2007, os Ferro Gaita receberam a Medalha Nacional de Mérito Cultural.

Em 2024, o grupo assinou com o Ministério da Cultura um protocolo de apoio à preservação do 'funaná' enquanto património imaterial nacional.

Em junho deste ano, o Governo atribuiu uma pensão de Estado a Bino Branco, no valor mensal de 75 mil escudos (cerca de 680 euros), justificando a medida com o contributo prestado à cultura nacional e com a sua situação de saúde e vulnerabilidade económica.

De acordo com o diploma, o músico enfrentava uma "grave doença oncológica" e estava desde 2025 em tratamento nos Estados Unidos, ficando impossibilitado de exercer a sua atividade profissional e artística, principal fonte de rendimento ao longo da vida.

O documento refere que a situação provocou uma redução da sua capacidade financeira e dificuldades em suportar as despesas relacionadas com o tratamento médico, a subsistência e o bem-estar da família.