Morreu Freitas do Amaral

O antigo ministro tinha 78 anos e estava internado desde 16 de setembro.

Morreu Diogo Freitas do Amaral. O fundador do CDS e antigo ministro tinha 78 anos. Estava internado há duas semanas no Hospital da CUF, em Cascais.

Freitas do Amaral, professor universitário, nasceu na Póvoa de Varzim em 21 de julho de 1941. Foi líder do CDS, partido que ajudou a fundar em 19 de julho de 1974, e ministro em vários governos. 

Em 2005 assumiu, como independente, o Ministério dos Negócios Estrangeiros do executivo socialista de José Sócrates.

A nível internacional, foi presidente da Assembleia Geral da ONU (1995-96) e da União Europeia das Democracias Cristãs (1981-83).

Freitas do Amaral lançou há três meses o seu último livro - "Um percurso singular".

O corpo do fundador do CDS-PP e antigo ministro Diogo Freitas do Amaral vai para o Mosteiro dos Jerónimos, na sexta-feira, e o funeral decorrerá sábado no cemitério da Guia, Cascais, disse à Lusa fonte familiar.

Reações:

O Presidente da República manifestou profundo pesar pela morte de Freitas do Amaral, que recordou como um dos "pais fundadores" do sistema político-democrático português e um grande amigo pessoal de meio século.

"O Presidente da República, que, além do mais, perdeu um grande amigo pessoal de meio século, apresenta à sua Família a expressão de grande saudade, mas, sobretudo, da gratidão nacional para o que foi o papel histórico de ter sido aquele dos Pais Fundadores a integrar a direita conservadora portuguesa na Democracia constitucionalizada em 1976", lê-se numa nota publicada no `site´ da Presidência. 

O presidente da Assembleia da República afirmou hoje que recebeu com "enorme consternação" a notícia da morte do antigo ministro Freitas do Amaral, "fundador do regime democrático" e cidadão com "grande dedicação" à causa pública.

"Fundador do nosso regime democrático, o professor Freitas do Amaral serviu Portugal e os Portugueses em diversas ocasiões", considera Ferro Rodrigues, numa nota enviada à agência Lusa.

Para o presidente da Assembleia da República, Freitas do Amaral "prestigiou Portugal como poucos, assumindo a presidência da Assembleia Geral das Nações Unidas entre 1995 e 1996".

"Foi, por excelência, um académico, tendo sido assistente e professor de Direito Administrativo da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, de que era catedrático em 1983. Em 1996, foi um dos responsáveis pela criação da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa", apontou ainda.

O primeiro-ministro lamentou hoje a morte do fundador e primeiro líder do CDS, Freitas do Amaral, e adiantou que o Governo vai decretar luto nacional no dia do seu funeral, que será no sábado. 

O anterior Presidente da República, Cavaco Silva, manifestou "enorme tristeza" pela morte do fundador do CDS e antigo ministro Freitas do Amaral, elogiando-o pelo seu "espírito livre" e pelo contributo para uma democracia pluripartidária em Portugal.

"Foi com enorme tristeza que tomei conhecimento da morte do Prof. Diogo Freitas do Amaral, um dos construtores de uma democracia pluripartidária em Portugal. Foi, a par de Mário Soares e de Francisco Sá Carneiro, um defensor convicto de uma democracia de tipo ocidental no pós-25 de Abril", afirma Aníbal Cavaco Silva, numa nota enviada à agência Lusa.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, considera que Freitas do Amaral deixou "uma fortíssima marca" e deu um "valiosíssimo contributo" para a democracia e influência portuguesa.

Freitas do Amaral, "viria a deixar uma fortíssima marca como Presidente da Assembleia-Geral das Nações Unidas, valorizando de forma muito significativa a imagem e influência de Portugal como pude, na altura, constatar como Primeiro-Ministro", escreveu o atual secretário-geral da ONU.

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, enviou as "sinceras condolências" à família do fundador do CDS e antigo ministro Freitas do Amaral, recordando o seu "papel decisivo na democracia em Portugal".

"Condolências muito sinceras à família do professor Freitas do Amaral. Era um verdadeiro democrata-cristão e teve um papel decisivo na consolidação da democracia em Portugal", afirma Jean-Claude Juncker numa publicação feita através da sua conta oficial da rede social Twitter.