Morreu Gloria Steinem, ícone do feminismo norte-americano, aos 92 anos
Jornalista e ativista dedicou mais de seis décadas à defesa dos direitos das mulheres e tornou-se uma das figuras mais influentes do movimento feminista.
Gloria Steinem, uma das figuras mais importantes do movimento feminista nos Estados Unidos, morreu aos 92 anos. A jornalista e ativista morreu na quarta-feira, 2 de setembro, na sua casa, em Nova Iorque. A causa da morte não foi divulgada.
Nascida em Toledo, no Ohio, a 25 de Março de 1934, Steinem tornou-se uma das principais vozes da chamada “segunda vaga do feminismo”. Ao longo da carreira, defendeu a igualdade de género, os direitos reprodutivos, a participação das mulheres na política e o combate à violência e à discriminação.
Uma carreira entre o jornalismo e o activismo
Gloria Steinem ganhou notoriedade como jornalista na década de 1960. Um dos trabalhos que mais contribuiu para a sua projeção pública foi uma investigação sobre o Playboy Club, realizada depois de trabalhar disfarçada como empregada do clube. A reportagem chamou a atenção para as condições de trabalho e para o tratamento dado às mulheres.
Em 1971, Steinem esteve entre as fundadoras da revista Ms., publicação que viria a tornar-se uma das principais plataformas do movimento feminista norte-americano.
Ao longo das décadas seguintes, participou na criação e no desenvolvimento de várias organizações dedicadas aos direitos das mulheres e à participação feminina na vida política. A sua intervenção pública estendeu-se também à defesa dos direitos civis e de outras causas ligadas à justiça social.
Um legado internacional
A influência de Gloria Steinem foi reconhecida dentro e fora dos Estados Unidos. Em 2013, recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade, a mais alta distinção civil norte-americana, atribuída pelo então Presidente Barack Obama.
Em 2021, recebeu o Prémio Princesa das Astúrias de Comunicação e Humanidades, em Espanha, pelo seu contributo para a defesa da igualdade e dos direitos das mulheres.
Durante mais de 60 anos, Steinem manteve uma presença ativa no debate público. A sua voz tornou-se uma referência para várias gerações de feministas, jornalistas e ativistas.
A morte de Gloria Steinem marca o fim da vida de uma das personalidades que mais contribuíram para transformar o debate sobre a igualdade entre homens e mulheres nos Estados Unidos e no resto do mundo.
