Morrissey e Johnny Marr trocam farpas
Acrimónia entre os dois ex-Smiths torna-se mais pública do que o normal.
Os Smiths, apesar do enorme culto gerado nos meios indie (e não só), já não se davam bem quando existiram, entre 1982 e 1987. O fim da banda é também a história de uma rutura pessoal entre o letrista e vocalista Morrissey e o principal músico e compositor Johnny Marr. Em 1988, Morrissey não o escondeu na passagem de testemunho entre as cinzas do grupo e o início da sua carreira a solo, quando levou a palco do Civic Hall, em Wolverhampton, todos os ex-membros dos Smiths, exceto Johnny Marr.
Mas os dois, Morrissey e Johnny Marr, estariam do mesmo lado da barra de tribunal quando o ex-baterista dos Smiths, Mike Joyce, os processou, para reclamar a distribuição igual dos royalties entre os quatro antigos membros - e não os 80% que o vocalista e o guitarrista dividiram entre si, sobrando apenas 20% para os dois restantes. Se Mike Joyce ganhou o processo já em plenos anos 90, qualquer esperança de um regresso dos Smiths perdeu-se em definitivo.
Morrissey e Johnny Marr continuaram a não morrer de amores um pelo outro, mas o azedume era respeitoso ou publicamente contido. Para Johnny Marr (e para o jornalista), não falar de Morrissey numa entrevista é tarefa quase impossível e não o fará por mal. Mas o cantor fartou-se e escreveu-lhe uma carta aberta no seu site, Morrissey Central: "isto não é um reparo retórico", avisa o letrista. "É um pedido educado e calmamente ponderado: importas-te de parar de mencionar o meu nome nas tuas entrevistas? Em vez disso, será que podes antes falar da tua carreira, dos teus feitos musicais imparáveis e da tua própria música? Quando o conseguires, será que consegues pôr-me de lado?".
Do pedido "educado", Morrissey passou para a corrosão no parágrafo imediatamente seguinte. "Não me conheces. Não sabes nada da minha vida, das minhas intenções, dos meus pensamentos, dos meus sentimentos. No entanto, falas como se fosses o meu psiquiatra pessoal, com consistente e ininterrupto acesso aos meus instintos. Não nos temos conhecido um ao outro nos últimos trinta e cinco anos".
Morrissey quer separar a fase embrionária dos Smiths, quando os dois se conheceram e começaram a escrever as suas primeiras canções, do presente. "Ajudámo-nos um ao outro a tornarmo-nos naquilo que somos hoje. Será que pode deixar as coisas nesse ponto? Ano após ano, década após década, continuas a culpar-me de tudo... do tsunami nas Ilhas de Salomão em 2007 à baba que escorre do queixo da tua avó".
Johnny Marr foi bem mais telegráfico na sua resposta, ao modo do Twitter e não de um site oficial. "Uma carta aberta já não a grande cena desde 1953. Passa-se tudo nas redes sociais. Até o Donald J Trump já as usa".
Dear @officialmoz . An ‘open letter’ hasn’t really been a thing since 1953, It’s all ‘social media’ now. Even Donald J Trump had that one down. Also, this fake news business…a bit 2021 yeah ?#makingindiegreatagain
— Johnny Marr (@Johnny_Marr) January 26, 2022
