Morreu o ator e encenador Jorge Silva Melo
O Presidente da República e o primeiro-ministro já prestaram homenagem.
O ator e encenador português Jorge Silva Melo morreu na noite de segunda-feira aos 73 anos, revelou o pianista Nuno Vieira de Almeida.
"Um dos grandes, dos que mais fez durante décadas a fio, escrevendo, encenando, ensinando, filmando, representando, deixou-nos hoje. Muito se dirá amanhã sobre ele, por quem esteja mais bem preparado para o fazer do que eu. Eu estou apenas triste. Este início de ano com mortes sucessivas, guerra, solidão, tem sido devastador", escreveu o músico.
Jorge Silva Melo estava internado no Hospital da Luz, em Lisboa.
O primeiro-ministro, António Costa, diz que a morte do encenador "deixa uma tristeza enorme".
Numa mensagem publicada no Twitter, o chefe do Governo adianta que Jorge Silva Melo "fez parte da feração que renovou o teatro português no pós-25 de Abril".
A intervenção artística de Jorge Silva Melo foi pautada por um espírito jovem. Fez parte da geração que renovou o teatro português no pós-25 de Abril, apostou permanentemente em jovens atores, revelou e pôs em cena autores contemporâneos. A sua morte deixa uma tristeza enorme.
— António Costa (@antoniocostapm) March 15, 2022
Também o Presidente da República já evocou Jorge Silva Melo, sublinhando que "não era apenas um dos encenadores mais emblemáticos e dinâmicos do teatro português; foi, a par disso, ator, dramaturgo, cineasta, professor, crítico, cronista, memorialista, bem como um homem politicamente empenhado e um descobridor de talentos e congregador de vontades".
"Presto-lhe a minha sentida homenagem", conclui assim Marcelo Rebelo de Sousa a nota publicada esta terça-feira no site da Presidência.
Nascido em Lisboa, a 07 de agosto de 1948, Silva Melo fundou e dirigiu, com Luís Miguel Cintra, o Teatro da Cornucópia (1973/79), e fundou em 1995 a sociedade Artistas Unidos, de que era diretor artístico.
Estudou na London Film School, foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, e estagiou em Berlim junto do encenador Peter Stein, e em Milão com Giorgio Strehler.
É autor das peças "Seis Rapazes Três Raparigas", "O Fim ou Tende Misericórdia de Nós", "Prometeu", e "O Navio dos Negros", entre outras.
No cinema, realizou as longas-metragens "Ninguém Duas Vezes" e "António, Um Rapaz de Lisboa", entre outras, além de documentários sobre a vida de artistas plásticos, como Nikias Skapinakis e Ângelo de Sousa.
Traduziu obras de Carlo Goldoni, Luigi Pirandello, Oscar Wilde, Bertolt Brecht, Georg Büchner, Lovecraft, Michelangelo Antonioni, Pier Paolo Pasolini, Heiner Müller e Harold Pinter.
