Mosquito-tigre já afeta dezenas de concelhos em Portugal

O risco que representa é reduzido por transmitir doenças pouco habituais no país.

O mosquito Aedes albopictus, mais conhecido como mosquito-tigre, foi detetado em vários concelhos, do norte a sul, do país. Mas o risco que representa é reduzido por transmitir doenças pouco habituais em Portugal.

"Primeiro foi detetado no Algarve, mas também já foi detetado em Lisboa e Vale do Tejo e na região Norte", adianta Joana Moreno, vice-presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública.  

A presença deste mosquito no território português "deve-se às alterações climáticas", ou seja, a "temperatura atual em Portugal é mais acolhedora e faz com que esta espécie consiga deslocar-se entre regiões", esclarece. 

O mosquito-tigre não voa longas distâncias

Contudo, Joana Moreno explica que estes mosquitos "não conseguem voar longas distâncias, mas podem ser transportados através das pessoas", sem que estas se apercebam.

Se for parar a regiões climaticamente vantajosas, "sem muito vento e de baixa altitude, o mosquito pode efetivamente sobreviver", frisa.

Como é que o mosquito-tigre se reproduz

O mosquito-tigre coloca ovos em pequenas coleções de água. Por isso, Joana Moreno, indica que se deve ter atenção a "pratos dos vasos que ficam com água, caleiras entupidas, taças de animais não utilizadas, barris e pneus, para não promover a reprodução dos mosquitos."

Em zonas muito secas o mosquito não consegue sobreviver ou reproduzir-se, porque não existem coleções de água. 

O maior cuidado deve ser para quem viaja

"Em Portugal não existem doenças como Dengue, Chikungunya, Febre Amarela e Zika", portanto, "o maior cuidado deve ser para quem viaja, principalmente para países endémicos a essas doenças. O risco neste momento é dependente de existirem casos importados de outros países." 

De acordo com o Jornal De Notícias os 18 casos de dengue registados este ano em Portugal foram todos importados e não transmitidos pelo mosquito.