Mulher morreu em Palmela após esperar mais de uma hora por uma viatura do INEM

Fonte Sindical revela que este é um de vários atrasos só esta semana.

Uma mulher morreu hoje em Palmela, distrito de Setúbal, depois de ter esperado mais de uma hora pela viatura médica de emergência, num caso que se somou a vários de atrasos no socorro esta semana, segundo fonte sindical.

Neste caso, a chamada para o Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) foi feita pelas 14h45 e a Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) apenas chegou ao local pelas 15h52, mais de uma hora depois.

Para estes casos -- classificados como prioridade 1 -- segundo os parâmetros definidos no início do ano pelo INEM, a resposta deve ser imediata.

O Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH) diz ter recebido nas últimas semanas diversas denúncias de atrasos no socorro, com o presidente do sindicato, Rui Lázaro, a alertar para o facto de haver vários casos de viaturas inoperacionais por avaria que não são substituídas por falta de viaturas de reserva.

Na quarta-feira, por exemplo, uma das duas ambulâncias do INEM de Setúbal esteve parada durante a tarde (entre as 13:30 e as 18:00), porque avariou. Foi pedida uma a Pombal, que depois também avariou.

Hoje, no Seixal, uma avaria fez com que a Ambulância de Emergência Médica estivesse inoperacional mais de uma hora. Segundo a mesma fonte, a logística não tinha nenhuma viatura de substituição/reserva para a área de Lisboa e Vale do Tejo.

"Nos últimos dias têm ficado várias ambulâncias paradas várias horas por não haver ambulâncias para trocar", disse à Lusa Rui Lázaro, que alertou para as implicações no socorro.

Segundo Rui Lázaro, o INEM tem cerca de 40 viaturas em oficina para reparação.

"São sempre dezenas [em oficina], mas o expectável é que cada delegação tenha algumas de reserva", afirmou Rui Lázaro, acrescentando que, ao dia de hoje, nem a delegação Norte, nem Lisboa e Vale do Tejo têm uma única viatura de substituição.

Entre as várias denúncias que o STEPH recebeu estão dois casos classificado como prioridade 1, que não tinham VMER disponível no imediato: um deles, em Sto António da Charneca, refere-se a uma mulher com dificuldades respiratórias e reação alérgica cuja chamada foi recebida pelas 14:38 e a Cruz Vermelha foi acionada quase meia hora depois; o outro caso, na Quinta do Anjo (Palmela), foi o de uma mulher com dor torácica cujo pedido de socorro foi feito pelas 14:46 e a moto de Setúbal foi acionada 20 minutos depois.

A Lusa questionou o INEM sobre a situação da frota e aguarda resposta.