Mundial2022: Estados Unidos conseguiram um pódio irrepetível em 1930

Em quase um século e mais 20 edições, nunca uma seleção fora da Europa ou da América do Sul conseguiu melhor resultado.

Os Estados Unidos fecharam o pódio da edição inaugural, em 1930, e, depois disso, em quase um século e mais 20 edições, nunca uma seleção fora da Europa ou da América do Sul conseguiu melhor resultado.

No Uruguai, os norte-americanos venceram o seu grupo da primeira fase, impondo-se a Bélgica (3-0) e Paraguai (3-0), para, depois, caírem nas meias-finais, goleados por 6-1 pela Argentina, que perderia a final para os anfitriões (2-4).

Como, então, não havia jogo de ‘consolação’, o terceiro posto foi atribuído aos Estados Unidos pela melhor diferença de golos em relação à Jugoslávia (7-6 contra 7-7), que também somou dois triunfos e um desaire, igualmente por 6-1 nas meias-finais, no seu caso perante o Uruguai.

O terceiro posto jamais foi repetido por uma equipa fora das confederações que já venceram a prova, sendo que foram precisos 72 anos para ver novamente um ‘outsider’ nas meias-finais, no caso a co-anfitriã Coreia do Sul, num percurso muito polémico, em 2002.

Não contabilizando o facto de os sul-coreanos terem tido muita ajuda arbitral, em variados jogos, os seus resultados acabam por ser os melhores de sempre de um ‘outsider’, com três vitórias, perante Polónia, Portugal e Itália, dois empates – um, com a Espanha, transformado em triunfo nos penáltis - e duas derrotas.

Os sul-coreanos começaram por ganhar o Grupo A, ao vencerem a Polónia por 2-0, empatarem 1-1 com os Estados Unidos e, no jogo decisivo, no qual lhes bastava nova igualdade, superarem Portugal, que acabou como nove, por 1-0.

A eliminar, a equipa então dirigida pelo neerlandês Guus Hiddink logrou duas vitórias tão inesperadas como controversas, primeiro face a Itália, por 2-1, com um ‘golo de ouro’, e depois perante a Espanha, nos penáltis (5-3), após 120 minutos sem golos.

Num país em estado de loucura coletiva, já tudo parecia possível, mas, nas meias-finais, o sonho da Coreia do Sul desmoronou-se perante a Alemanha (0-1), seguindo-se, no jogo do ‘bronze’, um desaire com a Turquia (2-3).

Além de Estados Unidos e Coreia do Sul, mais nenhum ‘outsider’ chegou às meias-finais, sendo que o terceiro lugar do ‘ranking’ pertence ao México, sexto nas duas históricas competições que organizou, em 1970 e 1986, na consagração de Pelé e Maradona.

Excetuando as prestações das equipas da casa, o melhor registo não europeu ou sul-americano pertence, em igualdade, a três conjuntos africanos, todos sétimos classificados, os Camarões, em 1990, o Senegal, em 2002 e o Gana, em 2010.

O Mundial é um monopólio da UEFA e da CONMEBOL, também em termos de presenças, e logo desde a primeira, em 1930, em que 11 das 13 seleções eram destas confederações, sendo exceções os Estados Unidos e o México, seleções americanas pertencentes à CONCACAF.

Os mexicanos perderam os três encontros da primeira fase, de grupos, enquanto os Estados Unidos chegaram ao pódio, ainda o único de um ‘outsider’.

Em 1934, as exceções, entre 16 participantes, eram Egito e Estados Unidos, ambos afastados na fase preliminar, os oitavos de final: os africanos perderam por 4-2 com a Hungria e os norte-americanos 7-1 com a campeã Itália.

Quatro anos volvidos, em 1938, os ‘outros’, dois em 15, eram as Índias Holandesas e Cuba, que, ao bater a Roménia (2-1 num jogo de repetição, depois de um empate a três após prolongamento), chegou aos ‘quartos’, para ser ‘esmagada’ (0-8) pela Suécia.

Depois da II Guerra Mundial, pouco mudou e, em 1950, também só dois (Estados Unidos e México) dos 13 participantes não eram da Europa ou da América do Sul: caíram ambos na fase de grupos, os norte-americanos após baterem a Inglaterra (1-0).

Em 1954, eram dois em 16 e os resultados foram fracos, com mexicanos e sul-coreanos a perderem, cada qual, os seus dois jogos. Nas edições seguintes, em 1958 e 1962, só o México ‘furou’ o monopólio, para ser 16.º e 11.º, respetivamente.

Na edição seguinte, em 1996, em Inglaterra, o México voltou, mas acompanhado pela Coreia do Norte, que surpreendeu ao passar a fase de grupos, com um triunfo na última jornada sobre a Itália (1-0), após um empate a um com o Chile.

Os norte-coreanos atingiram, assim, aos quartos de final, nos quais, num ápice, chegaram a 3-0 perante Portugal, que só não afastaram porque a formação das ‘quinas’ tinha o ‘rei’ Eusébio, autor de um ‘póquer’, para José Augusto selar o 5-3 final.

Quatro dos 16 participantes não eram de Europa ou América do Sul em 1970 e, de todos, o melhor foi o México, que, em casa, conseguiu chegar aos ‘quartos’, para cair por 4-1 perante a Itália e acabar no sexto posto.

Em 1974, os três ‘outsiders’ acabaram nos últimos três lugares, com um ponto em nove jogos, da Austrália (0-0 com o Chile), e, em 1978, o melhor registo, também entre três seleções, veio da Tunísia, afastada na primeira fase, apesar de ter batido o México (3-1) e empatado com a RFA (0-0).

O alargamento para 24 seleções, em 1982, aumentou, por consequência, o número de equipas fora das duas confederações dominantes: foram seis, com a Argélia (2-1 à RFA) e Camarões (três empates) a destacarem-se, mas a não chegarem à segunda fase.

No México, em 1986, mantiveram-se seis seleções e a melhor foi a da casa, o conjunto ‘azteca’, que acabou no sexto lugar e sem derrotas, em cinco jogos, caindo apenas nos penáltis, nos quartos de final, face à RFA (1-4, após 120 minutos sem golos).

Em igual contingente, em 1990, brilharam, de novo, os Camarões, conseguindo, desta vez, atingir os ‘quartos’, nos quais estiveram a bater a Inglaterra por 2-1, para tombarem por 3-2, no prolongamento, culpa de dois penáltis de Lineker.

Nos Estados Unidos, em 1994, a Europa e a América do Sul monopolizaram os ‘quartos’, à porta dos quais ficou a Nigéria, nona e melhor de sete ‘forasteiras’, derrotada no prolongamento dos ‘oitavos’ pela Itália (1-2) e um ‘bis’ de Roberto Baggio.

Quatro anos volvidos, em 1998, a Nigéria foi de novo a melhor, agora de 12, entre 32, em nova queda nos ‘oitavos’, para um 12.º lugar final, culpa da Dinamarca, vencedor por folgados 4-1.

Em 2002, voltaram a ser 12 os representantes das confederações menos fortes e foi a anfitriã Coreia do Sul a centrar todas as atenções, ao chegar às meias-finais, para a acabar em quarto.

Destaque ainda para o sétimo lugar do Senegal e o oitavo dos Estados Unidos, formações que só ‘tombaram’ nos quartos de final, os africanos perante a Turquia (0-1, com um ‘golo de ouro’) e os norte-americanos face à Alemanha (0-1).

Após os vários feitos de 2002, tudo regressou ao ‘normal’ em 2006, na Alemanha, onde nenhuma de 14 seleções logrou um registo muito relevante, destacando-se o Gana, que foi 13.º, depois de ser batido nos ‘oitavos’ pelo Brasil (0-3).

Em 2010, na primeira edição africana, de novo com 14 ‘outsiders’, os ganeses voltaram a prevalecer, fazendo ainda melhor, ao serem sétimos: caíram nos ‘quartos’ face ao Uruguai, nos penáltis (2-4), depois de, aos 120 minutos, Asamoah Gyan desperdiçar uma grande penalidade.

Na penúltima edição, em 2014, das 13 seleções não europeias ou sul-americanas, apenas uma chegou aos ‘quartos’, a Costa Rica, que acabou oitava, mas esteve perto das meias-finais, cedendo apenas nos penáltis (3-4), com a Holanda.

Há quatro anos, os melhores dos 13 ‘outsiders’ foram o México (11.º) e o Japão (16.º), que atingiram os oitavos de final, fase em que foram batidos por Brasil (0-2) e Bélgica (2-3, culpa de um golo de Chadli, aos 90+4 minutos), respetivamente.