Muse homenageiam Diogo Jota no Alive

Concerto de exuberância de qualidades da banda britânica, que se mostrou em excelente forma.

O futebolista Diogo Jota teve a sua grande homenagem no Alive no concerto dos Muse desta noite, na camisola nº21 da seleção das quinas envergada pelo baixista Chris Wolstenholme. Sempre que se filmaram as costas da camisola vermelha, e se lia “Diogo J.”, houve uma grande ovação.

Quanto ao concerto dos Muse, foram 100 minutos de uma exibição de forças dos Muse, com uma exuberância musical e visual que entreteve intensamente todo o imenso público.  

Ainda com o sol mal escondido, os Muse abriram com Unravelling, com a chama toda e com as chamas todas, num dos momentos densos de power chords em que passariam por uma banda de hard-rock. Talvez também o sejam. Depois de uma estranha interrupção, a banda reativa a máquina bem veloz em ‘Stockholm Syndrome’, como se não tivesse parado. Já a música Thought Contagion abre espaço para entoações de cânticos da multidão e Matt Bellamy sabe bem desse poder na interação com o público. Como é um tema dos Muse, e para não fugir ao estilo, Bellamy volta aos seus solos com a sua voluntariosa chinfrineira. 

O espetáculo está sempre centrado em Matt Bellamy e em tudo o que faz. Em Psycho, o líder dos Muse gane que nem um louco. Em Compliance, Matt Bellamy diz ao computador que é um robot, e o rock aproveita a onda e diz também que é eletrónico, num encaixe preciso e mecânico. Entretanto, dá-se uma chuvada de confetti longos, antes de ‘Madness’, tema em que o público aquece as vozes em lume brando, enquanto o baixista está com um instrumentos de dois braços todo raro e o supra-sumo da tecnologia. Em Plug In Baby, o público já não canta timidamente, enquanto Matt Bellamy começa a perder a fleuma e a sorrir, como se fosse um latino.

O concerto entra depois numa fase mais intimista ao som de Unintended, balada ao piano a lembrar alguns clássico dos anos 70, com os trejeitos vocais de Bellamy à lembarem os de Thom Yorke. Em United States of Eurasia, é o próprio Matt Bellamy que está ao piano, a fazer um brilharete nas teclas, enquanto a música tem chamamentos eruditos de épico dos Queen. ‘Hanging in Victory Square’ é o retrato de uma banda em estado omnipotente, que trata a música a várias velocidades. Uprising tem aquela entrada marcante com as passadas do baixo e com a batida pesada da bateria a criar um suspense de algo grandioso que se consuma de facto na canção em si. Knights of Cydonia merece uma intro da música de Ennio Morribone para o filme “Aconteceu no Oeste”, com o baixista Chris Wolstenholme na harmónica e com o resto da banda a recriar o ambiente árido do western.

Matt Bellamy vestido de casaco luminoso e todo tecnológico encerra o encore com ‘Starlight’, devidamente ilustrado no céu pelo fogo-de-artifício.