Músicos do STOP "condenados a sair" por falta de verbas para obras
Presidente da Associação de Músicos do Centro Comercial Stop espera que a "boa vontade" da Câmara do Porto ajude na solução.
O icónico Centro Comercial Stop, situado na Rua do Heroísmo, no Porto, está em risco de encerrar por questões de segurança. O edifício - propriedade privada - não cumpre os requisitos previstos no Regime Jurídico da Segurança contra Incêndios e para que a situação ficasse regularizada teriam de ser realizadas obras com custos significativos.
O que acontece é que o antigo centro comercial alberga uma comunidade artística, sobretudo de músicos, que utiliza cerca de 80 salas de ensaios ou estúdios de gravação. É um albergue criativo que já existe há vários anos, mesmo de forma periclitante, sendo que agora há um prazo que vai decidir a continuidade ou não do seu funcionamento.
O projeto de arquitetura para as obras que asseguram a segurança do edifício foi aprovado a 31 de maio, porém, a administração do Stop, que pertence a vários proprietários, tem de apresentar os projetos de especialidades até ao dia 30 de novembro. O problema é que não há verbas para fazer as obras exigidas. Perante os custos incomportáveis, tanto para os artistas como para os proprietários, cerca de 500 músicos vão ficar sem um local para os ensaios ou produção artística.
A Associação de Músicos do Stop, encabeçada por Rui Guerra, espera pela boa vontade da Câmara do Porto para que se encontre uma solução viável para os que fazem do antigo centro comercial uma autêntica incubadora criativa.
De acordo com a Lusa, na reunião do executivo camarário, que decorreu a 7 de novembro, o presidente da autarquia, Rui Moreira, referiu que a câmara portuense está disponível para acolher os músicos em dois pisos do parque de estacionamento Silo Auto, situado também no Porto. Foi esta a resposta de Rui Moreira à proposta apresentada pela CDU para que a autarquia ou o Ministério da Cultura tomassem posse administrativa do Stop. "Será que as obras [no Stop] vão ser concretizadas? Sinceramente não sei e até duvido", afirmou o autarca na reunião, acrescentando que a tomada de posse administrativa do espaço seria uma "ilegalidade", tendo em conta que os prazos fixados nos processos ainda estão a decorrer.
Na reunião, Rui Moreira revelou que foi proposto à associação dos músicos do Stop e à administração do condomínio a ocupação dos andares superiores do Silo Auto. "Disseram-nos que não queriam, que não lhes interessava porque querem continuar no Stop", adiantou o autarca, dizendo que o município poderia, nos dois últimos andares do Silo Auto, criar um espaço de partilha em modelo de 'open space' para os músicos.
A hipótese de ceder os tais dois pisos do Silo Auto aos artistas apanhou a Associação de Músicos do Stop de surpresa, como nos disse Rui Guerra, presidente da associação.
"Fomos apanhados um bocado de surpresa nesta situação. Não sabíamos que a câmara tinha deliberado essa hipótese. A autarquia disse que já tinha falado connosco sobre isso, mas não é verdade. Nunca falou connosco sobre a possibilidade de nos transferir para o Silo Auto. Falou connosco sobre a possibilidade de nos transferir mas não nos disse para onde", afirmou Rui Guerra à rádio.
"O Centro Comercial Stop é privado e tem vários proprietários. Sem licenciamento, vamos ter de sair de qualquer maneira. Não sei se o espaço Silo Auto nos vai servir. Suponho que não nos sirva mas teremos de conversar com a câmara para saber que condições teremos nesse espaço", acrescentou.
"Neste momento, só a câmara é que nos poderá salvar desta situação, se tiver consideração por nós. Estamos condenados a sair de lá, com muita pena nossa. Vamos ter de sair de lá de qualquer maneira. Ou já ou mais tarde, daqui a algum tempo. Vai ser difícil ficarmos lá. Não sei, vamos ver", concluiu o presidente da associação.
Rui Guerra diz que existem espaços [no Porto] que podem servir como alternativa, como é o caso de um quartel de bombeiros desativado, mas admite que as opções são limitadas devido ao número elevado de músicos que usam o Stop.
Nos próximos dias, a Associação de Músicos do Stop conta reunir com a autarquia para conhecer em detalhe a proposta camarária.
