"Não posso chegar ali e derrubar." Ministra diz que é difícil retirar ensecadeiras do Côa
Estruturas foram montadas há 30 anos para conter o rio durante a construção da barragem do Côa, que acabou por não avançar.
A ministra do Ambiente garantiu esta terça-feira que as ensecadeiras do rio Côa serão removidas, mas avisou que é um compromisso que lhe custa cumprir e que vai ser um trabalho muito difícil.
Os quatro milhões de euros previstos não vão chegar, disse também Maria da Graça Carvalho, que falava na Assembleia da República, no âmbito da discussão na especialidade do orçamento do Estado para o próximo ano.
“É um compromisso, mas se há compromisso que me custa cumprir é este”, disse no período de respostas a perguntas dos deputados, avisando que vai ser um trabalho difícil. “Eu não posso chegar ali e derrubar, como faço em qualquer lado”.
As ensecadeiras são uma estrutura provisória projetada para conter o curso de água durante as obras da barragem do Côa, que não chegou a ser construída nos anos 1990. Foi mantida no local durante três décadas e é considerada uma barreira obsoleta, com impactos negativos em termos ambientais, económicos e culturais, nomeadamente ao nível da conservação das gravuras do Parque Arqueológico do Vale do Côa, como garantem técnicos envolvidos no processo.
Em março passado o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Pimenta Machado, já tinha dito que a estrutura iria ser retirada, e há menos de dois meses o presidente da Câmara de Foz Côa reiterou a necessidade urgente da remoção das ensecadeiras, a estrutura de betão armado que está prejudicar as gravuras rupestres do concelho.
Hoje a ministra disse que as ensecadeiras são “um erro enorme de engenharia” e “um erro enorme político” que foram cometidos há 30 anos.
“Alguém mandou parar uma barragem e não acautelou a proteção daquela região. Nem das figuras rupestres, nem do Parque Nacional, nem de nada”, afirmou.
A ministra explicou que não se pode usar dinamite, por ser uma zona natural, e, para remover as ensecadeiras, será necessária uma “tecnologia muito complexa”.
“O que está aqui em causa não são os quatro milhões, é a solução, é terem feito aquele erro e não terem de imediato arranjado uma solução. Foi preciso passarem quase 30 anos para chegarmos nós e termos de resolver este problema. Um problema de erro político e erro de engenharia, que envergonha qualquer engenheiro”, disse.
