Napa: "queremos fazer noites memoráveis nos coliseus"

Banda de 'Deslocado' dá salto ao vivo, ao tocar nas salas históricas do Porto e de Lisboa.

A grande banda rock madeirense do presente, os Napa, toca neste dia 24 no Coliseu do Porto e no dia 30 no Coliseu dos Recreios, em Lisboa. 

Em entrevista, o vocalista e guitarrista João Guilherme Gomes e o guitarrista Francisco Sousa adiantam que vão tocar algumas músicas novas do próximo álbum, que está a ser gravado e que vai sair a meio deste ano. Popularizados pela vitória no Festival da Canção com o tema ‘Deslocado’, os Napa admitem que adeririam ao boicote ao Festival da Eurovisão, se tivessem participado na edição deste ano, em crítica à atuação de Israel na Palestina. 

O que podemos esperar dos vossos concertos no Porto e em Lisboa?
João Guilherme Gomes – Podemos esperar concertos especiais que nunca fizemos antes. Vamos ter um trio de sopros e um quarteto no coro e muitos convidados especiais, de músicas, colaborações que nós já fizemos no passado e uma energia completamente nova também. Fazer dois coliseus é uma responsabilidade muito grande, mas também nos dá uma vontade grande de fazer esses concertos. Acho que podemos levar toda a energia que temos para essas duas noites. 
Francisco Sousa - Os coliseus são salas icónicas em Portugal que nos dão hipótese de fazermos o concerto que quisermos. Então, estamos a trabalhar também com a Constança Entrudo para nos fazer grande parte da área visual, dos cenários do concerto, que acho que pode tornar mais especial o espetáculo. Temos a nossa equipa a dar cento e dez por cento para fazermos destes espetáculos noites memoráveis, para que sejam concertos diferenciados do que normalmente conseguimos fazer no dia-a-dia. Queremos torná-los especiais e icónicos para fazer este marco dos primeiros coliseus. 

Napa

Sobre os convidados...
João Guilherme Gomes – Serão os convidados que temos nos discos: o Van Zee [no tema ‘Infinito’], a Beatriz Pessoa [‘Gigantes’] e a Silly [‘Assim, Sem Fim’], nos dois coliseus.

Vão tocar músicas novas?
João Guilherme Gomes – Sim, vamos trazer um bocadinho do álbum novo. Nós estamos a gravar o nosso terceiro álbum e vemos dar um bocadinho do que vem aí. Estamos também entusiasmados para mostrar essa nova fase da nossa carreira e da nossa música. Estamos a caminhar para um sítio em que estamos todos muito satisfeitos. 

Em que fase está esse álbum? Quando é que vai ser lançado? 
João Guilherme Gomes – Nós já gravámos uma grande parte do disco aqui em Lisboa. Falta acabar. Nós contratámos um produtor brasileiro, que se chama Lucas Nunes. É um produtor incrível com quem nós já queríamos trabalhar há muito tempo. E agora surgiu esta oportunidade. Ele veio cá, gravámos uma grande parte do álbum no estúdio Vale de Lobos e vamos acabá-lo num estúdio do Rio de Janeiro. Vamos trazer um bocadinho desse calor do Brasil para o álbum, que é o que vai diferenciar um bocadinho do que nós temos feito. 

Portanto, o álbum está ainda permeável, no bom sentido. Está aberto.
Francisco Sousa - Está aberto.

O disco sairá ainda este ano? 
Sim. A ideia é sair antes do verão. Estamos a apontar para isso. Claro que não temos uma data ainda específica, embora gostássemos já de ter.

Napa

A vez em que vocês estiveram mais nervosos na vossa vida foi na final da Eurovisão. 
Francisco Sousa - Talvez. Com a quantidade de gente na Eurovisão, o tamanho do palco, aquela logística toda, as câmaras, tudo isso cria nervosismo. Se calhar o Guilherme estava, como estava concentrado em cantar. Sentia um pouco mais disso, que aquilo para nós era quase uma coreografia, que acontecia várias vezes. Mas não me lembro de um concerto particular em que estivesse muito nervoso, se calhar aqueles primeiros grandes festivais. Tocámos na Madeira, o Summer Opening, no Funchal, já há uns anos. Lembro-me de que foi a primeira vez que tocámos num palco grande e estava bastante gente, assim uma plateia composta. Lembro-me de sentir alguns nervos. Mas não me lembro de nenhum concerto em particular que estivesse bloqueado com medo. 
João Guilherme Gomes - A Eurovisão, o que é bom lá é que há mesmo muitos ensaios. Ou seja, esse espaço para o nervosismo vai-se diluindo. E nos ensaios que existem, a arena já está cheia. Há pessoas que pagam para ver os ensaios e aquilo está cheio de gente só que não estão a transmitir para a televisão. Por isso, há uma preparação muito grande. Mas claro que quando é mesmo o dia, aquilo dá uma nervoseira. 

Que impacto internacional vocês têm de momento? E em que país é que se sente mais isso? 
João Guilherme Gomes - Nós sentimos muito no Brasil e curiosamente na Indonésia. Naquelas estatísticas de Spotify do ano, o país que mais nos ouviu foi a Indonésia. Por alguma razão, por causa do TikTok e também a Indonésia é dos países mais populosos do mundo, por isso, se alguma coisa funciona lá, de repente, é uma escala muito maior. Isso surpreende-nos bastante. E eu não sei até que ponto, se fôssemos lá tocar, qual é o impacto real que isso tem. Se calhar vamos saber um dia quando formos lá. 

Vão ter que fazer uma digressão na Indonésia. 
João Guilherme Gomes - Sim, seria incrível. 
Francisco Sousa - Nem que fosse para ir à praia. 

Vocês gostam de praia já vi. Rio de Janeiro, Indonésia… 
Francisco Sousa - Nós nascemos num clima tropical. O calor e o mar atraem-nos bastante. 

Se tivessem participado neste ano no Festival da Canção, que decisão tomariam em relação ao Festival da Eurovisão, tendo em conta a participação de Israel e toda esta polémica e os boicotes que vai haver incluindo por parte de muitos artistas portugueses? 
João Guilherme Gomes - Provavelmente, alinharíamos também no boicote. Eu acho que alguma coisa tem de mudar. A Rússia não participa por causa da invasão na Ucrânia e Israel continua a participar e continua a ter um peso muito grande na Eurovisão, apesar de fazer as atrocidades todas que tem feito nos últimos anos. Por isso, se calhar, íamos alinhar também. 
Francisco Sousa - Acho que estamos todos alinhados em relação a isso, dada a quantidade de artistas que estão a participar este ano e que realmente não pretendem ir. A posição da RTP na minha opinião é questionável, mas manteve-se e acho que o festival deve acontecer. Beneficia muito a nossa cultura e é uma plataforma boa para novos artistas e artistas portugueses mostrarem a sua música e mostrarmos um pouco da nossa cultura e música portuguesa.

Napa

Falámos na brincadeira de uma digressão indonésia. E tocar no Brasil, já que lá vão? 
João Guilherme Gomes - Não vamos tocar agora, mas temos esse sonho de ir lá fazer uma turné e de ir às cidades todas que der: Rio de Janeiro, São Paulo. Estamos a fazer por isso. Não é uma viagem fácil para se fazer. 
Francisco Sousa - Depois fica muito grande. 
João Guilherme Gomes – Para ser rentável, ainda não percebemos a extensão da nossa popularidade lá. Se é só uma música ou se as pessoas realmente vão aderir aos concertos. Como nunca lá tocámos, não sabemos, mas estamos com vontade de descobrir.