Ne-Yo empolga MEO Arena

Pavilhão lotadíssimo com público a participar ativamente no espetáculo.

É impossível imaginar a MEO Arena mais lotada que esta noite de domingo, para o concerto do cantor Ne-Yo. Praticamente 20 mil pessoas viveram a hora e meia de espetáculo na maior sala ao vivo do país de forma muito participada.  

Ne-Yo atua de chapéu inclinado sobre a testa, a tapar-lhe os olhos, ladeado por quatro dançarinas, com uma luva de couro na mão direita. Os seus 9 músicos estavam encostados a palanques da retaguarda, deixando a área central do palco para o cantor e as suas dançarinas. 

Se o ambiente já estava escaldante, mais ficou quando se ouviu a quinta música do espetáculo, ‘Sexy Love’, a merecer um modesto show pirotécnico, com o coro feminino a fazer-lhe o manto mas, estranhamente, sem estar em palco.

Ne-Yo, mesmo sem se mexer muito em palco, transpira imenso, sobretudo no seu largo pescoço. Muitas vezes, as dançarinas roçam-se nele de forma sensual. Em ‘She Knows’, um rapper fantasmagórico, Juicy J, faz-se ouvir por auxílio das programações. Em ‘So Sick’, duas amigas no meio da plateia em pé interrompem a ida ao bar e revertem o caminho, na direção do palco, assim que ouvem os primeiros segundos da canção. Ne-Yo entra num R&b mais meloso, tão vivido pelos 20 mil espectadores, que mereceu uma ovação tão intensa que quase nos ensurdecia. “Esta música tem 20 anos. Do fundo do coração, obrigado por me ajudarem a realizar este sonho”, afirma Ne-Yo, num dos raros discursos à multidão.

Já a meio do concerto, Ne-Yo dança com três fãs pré-selecionadas, que exercitam twerking para o cantor. Depois, é a vez de Ne-Yo emprestar a ribalta ao seu trio do coro, como no tema ‘Nights Like These’, com vozes fenomenais, embora traídas pelo mau som da sala. 

Ne-Yo mostra ao público o seu “novo projeto”, ligado ao country, que diz ter sempre adorado. Muda o chapéu, para um mais ondulado ao estilo de cowboy. E na vestimenta instrumental, é tocada uma guitarra pedal steel para as tais novas canções. Sentimo-nos num curral ou num saloon, mesmo sem o cenário visual.

A partir de ‘Closer’, a festa torna-se mais rija, com uma pulsação rítmica mais sísmica. Segue-se ‘Let's Go’, com um ambiente de discoteca que parece que cria molas nos pés dos espectadores que saltam sem parar, enquanto fumegam nuvens muito fugazes em palco. Em ‘Beautiful Monster’, a rave continua, com efeitos de riscos luminosos verdes, enquanto uma dançarina gatinha na direção de Ne-Yo.

No encore, Ne-Yo veio com ímpeto ainda mais festivo, como se isso ainda fosse possível, não parando de incentivar com os braços o público para pular ainda mais. Ne-Yo está agora de boné de couro, a cantar ‘Play It Hard’ debaixo de uma chuvada de confetti. Já na conclusão, Give Me Everything (Tonight), os beats estão de tal forma volumosos que reduzem o trio de metais a mera presença visual. Na plateia, muitas amigas tiraram selfies, a dançarem e a cantarem, numa felicidade coletiva. Foi isso mesmo que o concerto de Ne-Yo inspirou: uma felicidade coletiva.