Nena vai para "Debaixo d’Água Contigo”, o álbum que sai hoje

Cantora de 29 anos mergulha na alma humana no seu terceiro álbum.

A cantora Nena edita hoje um novo álbum, “Debaixo d’água Contigo”, no qual fala de muitas emoções e que nasceu de um fascínio pelo mar, “um espaço de calma” que por vezes assusta.

Ao terceiro álbum, que sucede a “Um Brinde ao Agora”, editado há pouco mais de um ano e do qual faz parte a canção 'Os Croquetes Acabam', Nena (Madalena Marques), de 29 anos, sente que vai “um bocadinho mais a fundo”, pelo menos é isso que espera que as pessoas sintam quando o ouvirem, como disse à Lusa.

“É um disco que nasce muito do processo de voltar às nossas bases e às coisas que realmente sentimos e às pessoas que fazem parte de nós. Escolhi este título porque está muito ligado à ideia de voltarmos a nós, ou seja, a essas bases e àquilo que vamos sentindo”, partilhou.

Nascido muito do fascínio de Nena pelo mar, o novo álbum, composto por dez canções, “fala sobre mergulhar e aceitar o que se encontra, e perceber quem se quer ter nesta viagem debaixo de água”.

Foi num curso de mergulho que o medo que inicialmente sentiu, “porque o mar às vezes mete medo”, acabou por transformar-se “num espaço de calma”.

“[Nessa altura] percebi é que este medo e esta calma podem existir ao mesmo tempo, e foi um bocadinho esta ideia que eu tentei trazer para o disco. Ou seja, é um disco que fala de medos, de amor, também de amizade, de saudade, e ao mesmo tempo como é que estes sentimentos todos podem coexistir. Nós estamos debaixo de água e pode existir medo, mas também pode existir calma. E é um disco que fala de muitas emoções ao mesmo tempo, e é OK sentirmos isso tudo ao mesmo tempo”, disse.

Entre a edição de “Um Brinde ao Agora”, em maio de 2025, Nena escreveu mais de 60 canções, pelo que chegar às canções que compõem "Debaixo d’água contigo” foi uma escolha “um bocadinho difícil”.

Das dez escolhidas, apenas uma tinha sido escrita há mais tempo, “Nada é do acaso”, que gravou há três anos com Os Quatro e Meia. A canção estava pronta para o álbum anterior, mas por sentir que “não se conectava muito com esse disco”, acabou por não sair.

“Agora senti que era mesmo uma canção que fazia parte do novo álbum, e que contava uma história de vida que se relacionava com esta ideia do disco”, partilhou.

No processo criativo de Nena, geralmente a melodia e a letra vão surgindo ao mesmo tempo, ao piano ou à guitarra.

“Para mim, acontece tudo ao mesmo tempo [criação das letras e da melodia]. É um processo que é super imprevisível, e acho que é isso que torna tudo isto tão bom. A minha parte preferida de fazer música é mesmo a parte de composição da letra e da melodia. E por isso fico muito feliz por poder fazer isto na minha vida”, disse.

Em “debaixo d’água contigo”, Nena voltou a contar na produção com João Só, João André e Feodor Bivol, que já tinham produzido o álbum anterior.

“Entre o disco passado e este passou muito pouco tempo e eu estava muito confortável a trabalhar com eles e quis continuar”, referiu.

O álbum chega hoje às plataformas digitais, e mais para frente será também editado em vinil.

Em outubro, Nena inicia uma nova digressão, batizada com o nome do novo álbum, “debaixo d’água contigo”, “com um cenário totalmente novo, canções novas, mas também as habituais, aquelas que as pessoas conhecem”.

A digressão começa em 23 de outubro em Miranda do Corvo, na Casa das Artes, e inclui já também datas em Guimarães (24 de outubro no Multiusos), Castelo Branco (20 de novembro no Cine Teatro Avenida), Lisboa (24 de novembro no Teatro Tivoli), Londres (13 de dezembro no The Jazz Café) e Porto (13 de março no Pavilhão Rosa Mota), um espetáculo que terá Os Quatro e Meia como convidados.

“É o início de uma nova era e estou muito entusiasmada”, referiu sobre a nova digressão, acrescentando que “é um marco especial na carreira de um artista poder dar um concerto lá fora [em Londres] e ter também portugueses que vivem lá a assistir, bem como britânicos”.

Nena começou a escrever canções com 12 anos, mas foi só em 2019, depois de concluir a universidade, que começou a dedicar-se profissionalmente À música, impulsionada por João Só.

Editou o primeiro álbum, “Ao fundo da rua”, que inclui a canção “Portas do Sol”, em 2022, e no ano seguinte venceu o prémio Artista Revelação dos PLAY – Prémios da Música Portuguesa.

Em 2025 estreou-se como mentora no programa de televisão “The Voice Kids”, tendo também integrado a edição deste ano do concurso de talentos da RTP.

O seu público foi sempre muito constituído por famílias, “uma geração que vai desde o mais novo até o mais velho”.

“Acho que não há nada mais bonito do que fazer parte do dia-a-dia das pessoas, e da casa das pessoas”, disse.

Com o The Voice Kids ganhou mais fãs entre as crianças, sobretudo meninas, algo que a faz sentir “uma grande responsabilidade, especialmente no sentido de lhes dizer que elas devem ser quem elas quiserem”.

“Acho que não há nada mais bonito do que passar esta mensagem de que todas elas devem sonhar e devem trabalhar, e que as coisas vão acontecer se assim o fizerem.

A que é esta a mensagem que gostava de lhes passar sempre”, afirmou.