Nick Cave explica porque vai à coroação de Carlos III

Cantor australiano não se considera republicano, nem monárquico.

Perante a perplexidade de quatro fãs (três deles australianos) que perguntam a Nick Cave na sua plataforma pessoal The Red Hand Files as razões que levam o músico a estar presente na coroação do Rei britânico Carlos III, o cantor sustenta que não é "monárquico", "nem republicano": "o que eu também não sou é tão espetacularmente desinteressado sobre o mundo e sobre a maneira como ele funciona, tão ideologicamente capturado, tão rabugento, a ponto de eu recusar um convite para o que provavelmente será o evento histórico mais importante do Reino Unido da nossa época. Não apenas o mais importante, mas o mais estranho".

Nick Cave aproveita a sua explicação real para mostrar alguma nostalgia com a antecessora e falecida Rainha Isabel II, recordando o encontro que já teve com a monarca, que descreve como a “mulher mais carismática” que alguma vez viu na vida. Nick Cave admite que se comoveu em lágrimas quando acompanhou o funeral da Rainha pela televisão. “Além dos debates intermináveis, mas necessários, sobre a abolição da monarquia, sinto uma ligação emocional inexplicável com a realeza - a estranheza deles, a natureza profundamente excêntrica de tudo aquilo que reflete tão perfeitamente a estranheza única da própria Grã-Bretanha. Eu sou atraído por esse tipo de coisas - o bizarro, o estranho, o estupefactamente espetacular, o inspirador”.  

À pergunta sobre o que "jovem Nick Cave pensaria da sua presença na coroação", o músico responde que “o jovem Nick Cave era, com todo o respeito pelo jovem Nick Cave, jovem e, tal como muitos dos jovens, demente, de modo que sou um pouco cauteloso em usá-lo como marca de referência sobre aquilo que devo ou não devo fazer. Porém, ele era giro, concedo-lhe isso. Louco, mas giro”.

Em jeito de provocação, Nick Cave brinca com as suas dúvidas sobre o que vai vestir na coroação no início do texto de respostas, até concluir que provavelmente vai levar um fato.