Nick Cave: "o carinho do público salvou-me"
O músico perdeu dois filhos, Arthur em 2015 e Jethro no passado mês de maio.
Nick Cave contou ao New York Times como tem gerido a dor depois de ter perdido dois filhos. Arthur, de 15 anos, morreu em 2015 na sequência de uma queda de um penhasco em Ovingdean, Brighton, East Sussex, Inglaterra. Jethro, o filho mais velho de 31 anos, morreu em maio. As causas da morte nunca foram divulgadas.
Na entrevista que deu recentemente à publicação norte-americana, o músico australiano, atualmente com 64 anos, disse que o apoio que tem sentido por parte do público, sobretudo quando atua ao vivo, tem sido essencial para a gestão da dor e do luto.
Cave contou que, logo após a morte de Arthur, ficou num lugar inimaginavelmente escuro, onde não conseguia ver nada além do desespero. Com o passar do tempo, o músico foi sentindo que a força do apoio dos fãs estava a ajudá-lo no processo de cura.
O apoio, que Cave sentia nos concertos e que também chegou em cartas que relatavam histórias idênticas à sua, foi essencial para a reconstrução emocional possível depois de duas perdas tão trágicas.
"O carinho do público salvou-me", disse o músico na entrevista. "É por isso que agora, quando estou em cima do palco, sinto que tenho de retribuir esse carinho. O que faço artisticamente é para saldar essa dívida", acrescentou. "As pessoas perguntam-me muitas vezes: 'como é que consegues andar em digressão? Mas eu penso: como é que poderia não andar?', questionou.
O músico australiano, que recentemente atuou com os seus Bad Seeds no MEO Kalorama, no Parque da Bela Vista, em Lisboa, diz que tem ficado muito comovido com as manifestações do público. "Vejo que as pessoas ficam comovidas com aquilo que faço - é um enorme privilégio".
A entrevista publicada pela New York Times antecede a edição do audiolivro "Faith, Hope and Carnage" que inclui uma série de entrevistas a Nick Cave feitas pelo jornalista Seán O'Hagan.
