"Ninguém dá importância às doenças cardiovasculares"
Alerta da Fundação Portuguesa de Cardiologia, que completa esta sexta-feira 46 anos.
A Fundação Portuguesa de Cardiologia (FPC) apela a mudança de comportamentos e "medidas politicas" para reduzir as mortes associadas às doenças cardiovasculares. Os últimos dados referem-se a 2023 a apontam mais de 30 mil mortes, a maioria mulheres.
"Ninguém dá importância nenhuma às doenças cardiovasculares", lamenta Luís Negrão, assessor médico da FPC, que aponta como fatores de risco a má alimentação, sedentarismo ou "não respeitar a medicação que é prescrita pelo médico".
O álcool é outro inimigo do coração e, por isso, o cardiologista diz que é preciso acabar com o mito de que " um bocadinho de vinho à refeição faz bem ao coração, é mentira, não faz." Luís Negrão sugere que sejam colocados "rótulos com informação relativamente aos riscos cardiovasculares, como se fez com o tabaco, nas bebidas alcoólicas." Além disso, pede que seja cumprida "a proibição de venda de bebidas alcoólicas em indivíduos que não tenham idade suficiente para o fazer", sublinhando que há jovens de 14, 15 ou 16 anos que "estão a beber bebidas alcoólicas em grande quantidade e ninguém se preocupa com isso."
O sal também continua a ser consumido de forma exagerada, diz o especialista, que apela a uma mudança de comportamentos: "tem que haver da parte de cada um a opção de dizer: "Não, eu vou passar a reduzir um bocadinho o sal. Eu vou passar a beber leite não tão gordo como costumo beber. Eu vou passar a comer uma sopa mais rica em produtos hortícolas."
Certo é que para já "há uma geração que está a nascer e que não está muito preocupada" com os fatores de risco das doenças cardiovasculares e, por isso, "a tendência provavelmente será para aumentar".
