Nobel da Física para invenções no campo do laser

Prémio foi atribuído a um americano, um francês e uma canadiana.

O prémio Nobel da Física 2018 foi hoje atribuído ao norte-americano Arthur Ashkin e a segunda metade em conjunto ao francês Gérard Mourou e à canadiana Donna Strickland, pelas suas invenções no campo da física do laser.

"A Academia Real Sueca das Ciências decidiu atribuir o Nobel da Física 2018 uma metade a Arthur Ashkin pelas pinças óticas e a sua aplicação aos sistemas biológicos e a outra metade conjuntamente a Gérard Mourou e Donna Strickland pelo seu método de gerar pulsos óticos ultracurtos de alta intensidade", disse Göran K. Hansson, secretário-geral da academia.

Segundo o comunicado da academia sueca, as invenções hoje distinguidas "revolucionaram a física do laser".

"Objetos extremamente pequenos e processos incrivelmente rápidos são hoje vistos com uma nova luz. Instrumentos de alta precisão abrem áreas de investigação ainda não exploradas e uma imensidão de aplicações industriais e médicas", pode ler-se no mesmo comunicado.

O mesmo refere à nossa redação Carlos Fiolhais, físico português, que caracteriza esta técnica como tendo sido "revolucionária" na altura e que hoje em dia é usada em cirurgias óticas e "eles usaram uma técnica particular para isso, amplificação de pulso gorgeado e esta técnica encontrou aplicações e espera-se que encontre ainda mais".

 

 

O norte-americano Arthur Ashkin inventou pinças óticas que apanham partículas, átomos, vírus e outras células vivas com os seus dedos de feixes de laser, o que permitiu concretizar um sonho antigo da ficção científica: usar a pressão da luz para mover objetos físicos, escreve a academia.

O físico e professor Carlos Fiolhais, refere que o que Arthur Ashkin fez, "foi usar o laser para conseguir manobrar, manipular micropartículas, coisas microscópicas muito pequeninas, algumas dessas coisas podem ser bactérias".

 

 

Ashkin começou em 1987 a usar as pinças óticas para capturar bactérias vivas sem as danificar e hoje aquele instrumento é largamente utilizado em investigação.

"O laser é uma onda. Estica-se a onda, a seguir amplifica-se a onda e logo de imediato comprime. São técnicas que ainda estão em desenvolvimento, mas talvez sejam, daqui a 20, 30 anos, uma possibilidade para resolver o nosso problema de energia", explica à nossa redação o físico Carlos Fiolhais.

 

 

Já Gérard Mourou e Donna Strickland abriram caminho para a criação dos pulsos de laser mais curtos e intensos jamais criados pelo Homem, explica a academia.

O seu artigo revolucionário foi publicado em 1985 e a técnica que inventaram (chirped pulse amplification, CPA), tornou-se um padrão para os lasers de alta intensidade.

As áreas de aplicação da sua técnica ainda não estão completamente exploradas, mas ela é atualmente utilizada em milhões de cirurgias de correção da visão realizados todos os anos com os mais incisivos feixes de laser.

O prémio Nobel da Física, com um valor pecuniário de nove milhões de coroas (870 mil euros), é o segundo destes galardões a ser anunciado, seguindo-se, nos próximos dias, os da Química, da Paz e da Economia.

Na segunda-feira, o Nobel da Medicina foi atribuído ao norte-americano James P. Allison e ao japonês Tasuku Honjo pelas suas descobertas sobre o papel do sistema imunitário no tratamento do cancro.