NOS Alive: o mergulho sereno das Breeders nas águas da nostalgia
Rock honesto das manas Deal no último dia do festival de Algés. O NOS Alive fecha com os Pearl Jam.
Kim Deal, Kelley Deal, Josephine Wiggs e Jim Macpherson meteram o NOS Alive no circuito que celebra 30 anos de Last Splash. É o álbum, editado em 1993, que guarda uma série de tesouros do rock mais alternativo que popularizou nos corredores dos liceus nos anos 90. O disco mereceu, por isso, uma remasterização recente e hoje parte foi desembrulhado no palco de Algés, ao lado de outros álbuns, desde Pod (álbum de estreia) a All Nerve, lançado em 2018.
Foi como se as Breeders tivessem escolhido o alinhamento com o cuidado que pede uma nostálgica 'mixtape' que noutros tempos era compilada em cassete. Escutamos (e revivemos) temas que marcam os ciclos de vida da banda de Ohio, embora para hoje a mixtape tenha sido adaptada a perto de uma hora de concerto. Curto mas bem encaixado num cartaz que fecha com os Pearl Jam - o quinteto veterano que, tal como o as manas Deal, remexe boas memórias e acalenta bom saudosismo.
Rock puro e honesto oferecido aos pais e filhos que foram mais cedo para o recinto do NOS Alive. E se ainda nos faz confusão que um concerto das Breeders possa ser um concerto de família, é porque já estamos a viver ternura (embora ainda endiabrada) dos quarentena. Dá para conservar a rebeldia e isso sente-se, sobretudo, quando nos metem à frente as bandas que nos deram alento e escape durante as dores de crescimento. Parte da Geração X entregou essas dores à distorção das guitarras.
E é precisamente a distorção que sai do palco que começa a levantar quem aproveitou a pausa entre concertos para descansar as pernas.
"Somos as Breeders e vamos tocar algumas canções para vocês", anuncia Kim Deal, de sorriso aberto e sereno, posicionada ao lado da irmã Kelley. Saints, de Last Splash, abre o concerto que seguiu pelo catálogo das norte-americanas, com passagem por canções como Wait In The Car, Doe, Invisible Man, Hag, Only in 3's ou New Year.
Às tantas, Kelley Deal pergunta à irmã Kim se já tinham passado pelo NOS Alive. Kelley responde que não e seguem em frente para mais uma série de canções. "Estamos muito felizes por estar aqui a tocar. Isto é lindo, ali com o mar", diz Kim Deal entre canções.
Os trunfos ficaram guardados para o final. Cannonball, uma das glórias do rock alternativo dos anos 90, agitou a massa de gente que entretanto se formou à volta do palco principal. Ainda escutámos Do You Love Me Now?, No Aloha e Divine Hammer.
O fim foi ao som de Gigantic, tema que os Pixies (banda da qual Kim Deal fez parte) editaram em 1988, com Surfer Rosa, o álbum de estreia.
O palco NOS abriu com os portugueses Blasted Mechanism que, curiosamente, já tinham partilhado o palco maior do festival com os Pearl Jam. Foi na edição de estreia, em 2007. Os energéticos Valdjiu, Guitshu, Fred Stone, Ary e Riic Wolf, que já anunciaram um concerto de celebração dos 30 anos de existência para abril de 2025, fazem parte da casa do NOS Alive e, nesta que foi a 16.ª edição do festival de Algés, a tradição manteve-se.
O coletivo fez uma espécie de antecipação da celebração das três décadas de existência.
