NOS Primavera Sound: cá vai uma dúzia de sugestões
Festival do Porto começa nesta quinta-feira. O cartaz está fortíssimo.
Três anos e uma pandemia depois, o festival NOS Primavera Sound volta ao lindíssimo Parque da Cidade, no Porto. Entre nomes mais óbvios e outros que requerem um radar de longo alcance, fazemos 12 sugestões de um cartaz que está fortíssimo e eclético.
Dia 9
Pedro Mafama (palco NOS, às 17h45)
Só há poucos meses, com o controlo da pandemia, a embarcação musical e expedicionária de Pedro Mafama começou a sua viagem pelos palcos de forma mais continuada e livre... "Por Este Rio Abaixo", o álbum etno-eletrónico e transcontinental do ano passado que regateia apresentação ao vivo com urgência. Agora, é vingarmo-nos.
Diiv (palco Cupra, às 18h25)
Conciliar ruído com serenidade angelical e espírito comedido com energia é algo só ao alcance das bandas shoegazer, como o caso do quarteto nova-iorquino Diiv. Têm supostamente uma canção escondida, intitulada de 'Portugal', mas o que devem tocar mesmo são as músicas do terceiro álbum "Deceiver", com a proibição implícita de porem de fora do alinhamento a mais antiga 'Doused'.
Nick Cave & The Bad Seeds (palco NOS, às 21h20)
Qualquer coisa que envolva Nick Cave é automaticamente um acontecimento, ainda mais se for em palco, com o incremento de outro homem carismático, o super-instrumentista Warren Ellis. Verdadeiro frontman, Cave tem o dom da hipnose, sobretudo quando se aproxima das filas da frente, como tanto gosta. É de esperar um concerto de duas horas, com muitos clássicos (como 'Tupelo', 'Red Right Hand' ou 'Ship Song'), mas também um bom número dos temas mais recentes, dos discos posteriores à perda do seu filho Arthur.
Nídia (palco Bits, às 0h00)
Um dos ícones da Príncipe Discos vai levar ao Porto muita da Lisboa africana com os seus cozinhados sonoros, de kuduro, funaná ou tarraxinha. Da dureza do gueto à evocação nostálgica da terra africana, as emoções estão à flor da pele nesta festa.
Dia 10
King Krule (palco Cupra, às 21h20)
O guitarrista Archy Ivan Marshall, mais conhecido pelo seu heterónimo de King Krule, é uma fera vocal que desfaz as estruturas das canções e as reergue nos versos seguintes. Como a sua música está cada vez melhor, é uma boa novidade saber que vai privilegiar no alinhamento o seu último álbum, "Man Alive!".
Beck (palco NOS, às 22h30)
A polivalência é a palavra à mão para sintetizar o que é Beck. Faz de tudo em palco. Querem festa funky?, contem com ele, que também sabe animar e cantar. Tem o seu modo próprio de fazer rap. E possui também o seu modo próprio de fazer country e folk, quando se aconchega no modo introspetivo, de guitarra acústica à mão. 'Loser' não larga os alinhamentos nem por nada e ninguém se aborrece com isso.
Arnaldo Antunes (palco Cupra, às 23h40)
O ex-Titãs é poeta e músico e leva tudo isso para palco. Abana o rock, faz ricochete no MPB e procura sempre um ângulo próprio. Tudo o que fizer no Primavera Sound será diferente de tudo o resto à volta.
Pavement (palco NOS, às 0h45)
Depois de várias tentativas goradas, finalmente acontece a estreia ao vivo em Portugal da banda de Stephen Malkmus e de Spiral Stairs e só depois é que o mundo pode acabar. Pelo que tocaram há dias no Primavera Sound, em Barcelona, são muito salomónicos na divisão das canções pelos cinco álbuns lançados nos anos 90 e que fizeram deles uma das instituições do rock alternativo norte-americano. Estes eruditos das guitarras elétricas regressam com o seu quinteto histórico, com o apoio extra da teclista Rebecca Cole. O líder e compositor principal Stephen Malkmus está disponível para - com a sua aptidão instrumental - desentorpecer qualquer enferrujamento eventual. É preciso ter em conta que os Pavement só se juntam de vez em quando e este é só o terceiro concerto deste ano.
Dia 11
Khruangbin (palco Cupra, às 19h00)
Com uns pozinhos do mundo daqui e dacolá - Tailândia, Mali - e uma tendência psicadélica, o trio norte-americano está habilitado a serenar o final de tarde no Parque da Cidade, com os seus instrumentais e quase-instrumentais. As canções merecem poucas palavras mas o som diz muita coisa.
Little Simz (palco Cupra, às 21h20)
É outra das grandes estreias ao vivo em Portugal e é um dos espetáculos mais aguardados do festival. Sob a aura do último álbum "Sometimes I Might Be Introvert" (muitíssimo venerado pela imprensa especializada e com grande impacto junto do público), a rapper vai escalar para aquela monumentalidade de músicas como 'Introvert', sem se esquecer dos temas de outro grande disco seu, "Grey Area".
Squid (palco Binance, às 0h45)
É um daqueles acrescentos recentes ao cartaz muito bem-vindos. Também atuam em Portugal pela primeira vez, com um álbum em carteira ("Bright Green Field") e muitas ideias para o futuro do rock, com o krautrock e muito humor no horizonte. O facto do vocalista Ollie Judge estar ocupado na bateria não atrapalha a forte dinâmica em palco do quinteto de Brighton.
Gorillaz (palco NOS, à 1h00)
20 anos depois do concerto nos Jardins da Torre de Belém, em Lisboa, os Gorillaz, com Damon Albarn em carne e osso, voltam ao nosso país. Ao contrário de há 20 anos, os músicos estão há muito na frente do palco e são eles as figuras principais e não os personagens animados que formam a banda virtual e ficcionada dos Gorillaz.
Na foto em cima: Little Simz, Gorillaz e Nick Cave
