"Nós temos uma epidemia que é a privação do sono"
A Associação Portuguesa de Sono alerta para o ritmo acelerado da vida e a excessiva dependência dos ecrãs.
Os portugueses estão a dormir menos e pior. A Associação Portuguesa de Sono (APS) fala mesmo "numa epidemia que é a privação do sono" e que afeta todas as idades.
"O que nós verificamos é que o ritmo dos adultos é acelerado, as crianças andam atrás do ritmo dos adultos, às próprias crianças é exigido mais tempo na escola, mais tempo nas atividades e depois esta dependência dos ecrãs é um problema preocupante e que tem que haver limites. (...) E outra coisa fundamental é não haver ecrãs no quarto, nomeadamente o telemóvel na mesa de cabeceira", diz a pediatra Marta Rios, membro da direção da APS.
E dormir pouco traz consequências a nível físico e mental: " tem consequências na saúde mental, no nosso humor, na nossa concentração, nas crianças na questão da aprendizagem, porque as crianças têm que estar concentradas na escola, também é importante para a memória. Nas crianças também causa irritabilidade, alterações do comportamento, com comportamentos mais difíceis, mais birras, são crianças mais hiperativas. Depois aumenta também o risco de obesidade e de excesso de peso, e isto também é transversal a todas as idades. Tem consequências também a nível do metabolismo e no risco de aumento das doenças cardiovasculares, como a hipertensão arterial e também aumenta o risco de diabetes. É muito importante para a imunidade e também aumenta o risco de doenças autoimunes e doenças neoplásicas. Portanto, acaba por abranger um bocadinho de tudo o que diz respeito à nossa saúde".
Por isso, é importante dar primazia ao sono. A especialista diz os adultos devem dormir cerca de sete a nove horas por dia, as crianças mais.
Narcolepsia
Esta segunda-feira é assinalado o Dia Mundial da Narcolepsia, uma doença neurológica crónica cujo sintoma principal é a sonolência diurna excessiva.
"É uma sonolência diurna especial, porque para além dos doentes adormecerem em situações monótonas, menos típicas, como, por exemplo, a conversar, a comer, no trabalho, a conduzir, há depois um sintoma muito típico que é a cataplexia, que é perda de força perante emoções fortes nomeadamente o riso, e portanto os doentes podem perder a força nos braços, nas pernas, podem cair, podem deixar cair a cabeça, portanto eles estão conscientes, mas não se conseguem mexer", explica Marta Rios.
A Narcolepsia afeta cerca de uma para duas mil pessoas, mas "haverá muitas pessoas com a doença que não está diagnosticada", por isso, "quanto mais depressa a diagnosticarmos, mais depressa a podemos tratar e melhorar a qualidade de vida" dos doentes.
