Nova "flotilha de Gaza" intercetada por forças israelitas junto a Chipre

A Global Sumud afirmou que embarcações militares intercetaram a flotilha de forma "ilegal e violenta".

A organização Global Sumud acusou esta segunda-feira as forças israelitas de intercetarem junto à costa de Chipre parte da nova "flotilha de Gaza", de cerca de 50 embarcações, que partiu da Turquia na semana passada.

Numa mensagem na rede social X, a Global Sumud afirmou que embarcações militares intercetaram a flotilha de forma “ilegal e violenta” e que as forças israelitas abordaram as embarcações “sequestrando os voluntários", e exigiu "a libertação imediata dos ativistas e o fim do bloqueio a Gaza".

Segundo a agência AFP, os sites de rastreio de navegação mostram vários navios parados a oeste da ilha mediterrânica de Chipre. 

O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel acusa o movimento islamita Hamas, que considera terrorista, de envolvimento direto na Global Sumud e financiamento das flotilhas, com base em documentos alegadamente encontrados em Gaza durante a invasão do enclave palestiniano.  

A organização nega, alegando que o seu financiamento provém de donativos de privados.

Esta é a terceira tentativa num ano de uma flotilha chegar à Faixa de Gaza, devastada pelo conflito iniciado em outubro de 2023 com a invasão israelita, após o ataque sem precedentes do Hamas contra Israel.

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, confirmou a interceção das embarcações, denunciando um plano "mal-intencionado".

Dirigindo-se ao comandante naval israelita responsável pela operação, segundo um comunicado do gabinete do chefe de governo, este considerou a intervenção “um sucesso notável”, ordenando a mesma a prosseguir “até ao fim".

Antes, o Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita avisou que "não permitirá qualquer violação do bloqueio naval legal imposto a Gaza".

Afirmou ainda que “dois grupos violentos turcos — Mavi Marmara e IHH, este último designado como organização terrorista — estão a participar” na flotilha, que considera uma “provocação".

Turquia e Espanha condenaram a intervenção das forças israelitas em águas internacionais.

Para o Ministério dos Negócios Estrangeiros turco, tratou-se de "mais um ato de pirataria" por parte de Israel.

O chefe da diplomacia espanhola, José Manuel Albares, condenou a ação conduzida por Israel “fora da sua jurisdição territorial”. 

Os organizadores da flotilha instaram os governos a agirem imediatamente para permitir a passagem segura das embarcações.

Segundo o ativista turco Suayb Ordu, que se encontrava a bordo de um dos navios, os tripulantes não tiveram outra alternativa senão render-se sem resistência.

O órgão de comunicação indonésio Republika noticiou que foram detidos dois dos seus jornalistas, que se encontravam a bordo da flotilha em missões jornalísticas e humanitárias. 

Quinze cidadãos irlandeses estavam a bordo da flotilha, incluindo Margaret Connolly, irmã da Presidente Catherine Connolly, segundo os organizadores. 

Cerca de 50 navios partiram do sudoeste da Turquia a 14 de maio, no âmbito desta nova flotilha.

Israel rejeita as críticas de que tem impedido a ajuda humanitária a Gaza, enclave que controla em grande parte. 

"A Faixa de Gaza está inundada de ajuda. Só desde outubro, mais de 1,58 milhões de toneladas de ajuda humanitária e milhares de toneladas de material médico entraram em Gaza", afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Telavive.

Israel já tinha intercetado uma flotilha anterior em águas internacionais ao largo da costa da Grécia a 30 de abril, libertando rapidamente a maioria dos ativistas em Creta, mas mantendo detidos dois deles  durante vários dias, antes de serem deportados.

As ONG denunciaram as detenções como ilegais, alegando que os dois homens foram sujeitos a maus-tratos durante a sua detenção em Israel, que negou estas alegações.