Novo mandato de Trump será mais egocêntrico e agressivo

João Maria Jonet faz uma antevisão à tomada de posse de Donald Trump, esta segunda-feira.

Donald Trump toma posse esta segunda-feira como presidente dos Estados Unidos da América (EUA), num mandato que promete ser mais egocêntrico e agressivo do que o primeiro (2017-2021). Também deverá começar com um "grande truque de propaganda": o anúncio do cessar-fogo em Gaza, antevê o comentador de política internacional, João Maria Jonet.

Jonet considera que, com esta tomada de posse, "muda muita coisa", nos EUA e não só. Trump está mais "descontrolado" no seu discurso, mais agressivo na política nacional e com uma postura preocupante perante os aliados. "Donald Trump já fez saber que, para ele, não há aliados, seja o Canadá ou a Dinamarca, mesmo que tenham alinhamento na NATO. Para ele [Trump], são adversários porque ou estão a pagar menos em Defesa do que ele acha que deveriam ou porque vendem mais aos Estados Unidos do que compram. Portanto, podemos esperar essa mudança na política internacional que vai ser preocupante também para nós [Portugal]", refere o comentador. Quanto à política interna do país, a tendência será para Donald Trump ter "um estilo de conservadorismo de nacionalismo cristão", diferente do que aconteceu no primeiro mandato. João Maria Jonet considera que o novo presidente norte-americano vai, por isso, seguir uma ideologia mais agressiva, com uma administração "para se vingar dos seus adversários políticos".

João Maria Jonet - Trump mudará postura com aliados e será mais agressivo no seu discurso

Quanto a programa eleitoral, para Jonet, isso até é "elogioso chamar" porque é uma amálgama de ideias do próprio Trump, mas pode-se contar com algum anúncio polémico, como aconteceu logo nas primeiras horas do anterior mandato. Desta vez, acredita que haverá rescisão de uma série de compromissos assumidos por Joe Biden, caso da iniciativa de pagar a alguns estudantes as enormes dívidas que contraíram na faculdade. Também não será de admirar uma saída do acordo de Paris ou a deportação de imigrantes ilegais no país. Medidas já defendidas pelo chefe de estado que apenas precisam da sua assinatura para serem executadas e que podem avançar a partir do momento em que a administração tome posse.

O especialista político explica que "ainda há muita gente no partido republicano que acredita numa presidência mais ou menos normal e que no Congresso será feita uma grande proposta legislativa que toca nas áreas da emigração, da energia e da fiscalidade". Jonet, adverte que "muita da agenda legislativa de Trump vai acabar bloqueada pela falta de margem (no Congresso).

João Maria Jonet - Trump fará anúncios polémicos logo no primeiro dia

Na política internacional, a questão da guerra na Ucrânia é, para já, uma "incógnita", com duas perspetivas diferentes, destaca João Maria Jonet. "Há pessoas na administração que falaram da possibilidade, incluindo o vice-Presidente, de ceder uma boa fatia de território ucraniano para parar a guerra; outras que dizem que Joe Biden foi demasiado brando e se agora os Estados Unidos mostrarem força no apoio à Ucrânia, a Ucrânia poderá negociar de uma posição de força".

Mas, para o comentador político, a maior expetativa é sobre o conflito israelo-palestiniano, com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, a desempenhar um grande protagonismo. "Netanyahu é basicamente um membro do Partido Republicano e, portanto, interessa-lhe que o conflito continue enquanto estiver no poder a administração Biden, para fragilizá-la, e interessa-lhe negociar rapidamente um cessar-fogo quando Donald Trump tomar posse para agradar ao novo Presidente e dizer que ele é um fazedor de paz", justifica. 

João Maria Jonet - Trump em relação a conflitos na Ucrânia e em Gaza

Esta nova administração norte-americana ficará pautada por uma ideologia mais agressiva e um estilo de liderança egocêntrico, bem diferente de Joe Biden, que pode até pôr em causa a própria unidade nacional, alerta o comentador de política internacional.  Exemplo disso, refere, "é a resposta [de Trump] aos ataques de Nova Orleães, aos incêndios na Califórnia e até à morte de Jimmy Carter."

João Maria Jonet - Uma postura bem diferente de Joe Biden em questões nacionais