Novo modelo do INEM não retira ambulâncias do sistema, garante Bastonário da Ordem dos Enfermeiros

Luís Filipe Barreira rejeita críticas à reforma que entra em vigor a 1 de setembro e assegura que os meios de emergência disponíveis para a população serão os mesmos. Mudanças incluem a transferência de 100 ambulâncias para bases hospitalares, reforço da triagem telefónica por enfermeiros e novas viaturas ligeiras para equipas de Suporte Imediato de Vida.

O Bastonário da Ordem dos Enfermeiros garantiu que a reorganização do sistema de emergência médica, prevista para entrar em vigor a 1 de setembro, não implicará qualquer redução dos meios disponíveis para socorrer a população. Em entrevista à Bauer Media o responsável afirmou que as críticas que apontam para a retirada de cerca de uma centena de ambulâncias do sistema resultam de uma interpretação errada das alterações previstas.

Segundo explicou, Portugal continuará a contar com uma rede de cerca de 570 ambulâncias integradas no sistema de emergência, envolvendo meios dos bombeiros, da Cruz Vermelha e do próprio INEM.

“Aquilo que muda é que cem ambulâncias que já hoje estão no sistema passam a operar a partir de bases hospitalares. Continuam integradas na rede de emergência e disponíveis para responder às necessidades da população”, sublinhou.

O Bastonário defende que a alteração representa apenas uma mudança de localização dos meios e não uma diminuição da capacidade operacional. As ambulâncias em causa poderão ser utilizadas tanto para o transporte inter-hospitalar de doentes críticos como para responder a ocorrências acionadas pelo Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU).

SIV passam a circular em viaturas ligeiras

Outra das mudanças previstas diz respeito às equipas de Suporte Imediato de Vida (SIV), atualmente constituídas por um enfermeiro e um Técnico de Emergência Pré-Hospitalar.

Estas equipas deixarão de se deslocar em ambulâncias e passarão a utilizar viaturas ligeiras, à semelhança do que já acontece com as Viaturas Médicas de Emergência e Reanimação (VMER).

Para o Bastonário, esta alteração permitirá reduzir os tempos de resposta e aumentar a área de cobertura das equipas.

“A segurança não depende de enviar o maior número de veículos. Depende de chegar a equipa certa, com as competências certas, no menor tempo possível”, afirmou.

O responsável explicou ainda que, sempre que seja necessário transportar um doente, continuará a existir uma ambulância de apoio, garantindo o acompanhamento clínico adequado durante o percurso.

Meta continua a ser chegar em oito minutos

Questionado sobre os tempos de resposta do INEM, o Bastonário reconheceu que o objetivo de chegar às situações emergentes em menos de oito minutos ainda não é cumprido em todo o território nacional.

Ainda assim, acredita que a reorganização dos meios poderá contribuir para aproximar o sistema dessa meta.

“É necessário acompanhar e monitorizar este modelo, mas acredito que esta reconfiguração ajudará a atingir esse objetivo”, referiu.

Enfermeiros reforçam triagem das chamadas para o 112

Uma das principais novidades da reforma será o reforço da participação dos enfermeiros no CODU, através da aplicação do Sistema de Triagem de Manchester às chamadas recebidas.

Os profissionais já se encontram em formação para desempenhar estas novas funções.

De acordo com o Bastonário, os enfermeiros passarão a ter um papel mais ativo na avaliação do risco, na definição das prioridades e na escolha da resposta mais adequada desde o primeiro contacto telefónico.

Apesar disso, esclareceu que os médicos continuarão a desempenhar as mesmas funções no CODU e não serão substituídos pelos enfermeiros.

“Os enfermeiros reforçam a avaliação clínica e a definição de prioridades, mas os médicos mantêm integralmente o seu papel”, frisou.

O que muda para quem liga para o 112?

Para os cidadãos, as alterações deverão ser praticamente invisíveis, garante a Ordem dos Enfermeiros.

Segundo o Bastonário, o princípio orientador da reforma passa por utilizar cada meio de emergência de acordo com a sua função específica, tornando a resposta mais eficiente sem comprometer a segurança dos doentes.

“As competências clínicas mantêm-se, os meios continuam disponíveis e o objetivo é melhorar a capacidade de resposta do sistema”, concluiu.

A reorganização do modelo de emergência médica entra em vigor a 1 de setembro e será acompanhada de um processo de monitorização para avaliar o seu impacto nos tempos de resposta e na qualidade do socorro prestado à população.