Novo projeto na estação de Campanhã mantém espaço automóvel
Projeto inclui praça de táxis, acesso a estacionamento subterrâneo e circulação para carros até praticamente à porta do edifício principal.
O novo projeto para requalificar a estação de Campanhã, no Porto, no âmbito da linha de alta velocidade mantém espaço ao automóvel junto à atual praça, ao contrário da versão anterior, que devolvia totalmente o espaço aos peões.
De acordo com os documentos do primeiro projeto submetido pelo consórcio AVAN Norte (Mota-Engil, Serena, Teixeira Duarte, Casais, Alves Ribeiro, Conduril e Gabriel Couto), em outubro de 2025, a atual entrada poente da estação de Campanhã, ocupada por uma praça de táxis e um parque de estacionamento à superfície, era totalmente pedonalizada, havendo a transferência da praça de táxis para a futura praça nascente dedicada à alta velocidade, onde estará a entrada para um novo parque de estacionamento com 620 lugares.
Nesse primeiro projeto, em prol da pedonalização, havia também a demolição de uma entrada para o parque de estacionamento subterrâneo sob gestão da Infraestruturas de Portugal (IP), potenciando o usufruto do espaço público para outros fins que não o da circulação automóvel.
De acordo com o projeto de então, que entretanto foi abandonado, "a transformação da praça em espaço pedonal permite valorizar a estação e dotá-la uma nova imagem, potenciando o sistema ferroviário (e o transporte público em geral) numa cidade ou país onde o automóvel ainda desempenha um papel central na mobilidade".
"Atualmente, o estacionamento automóvel junto ao edifício de passageiros existente dificulta a entrada confortável dos peões", identificava o projeto, sinalizando que a ideia era "tornar a praça poente mais adequada, confortável e acolhedora para os peões e para os modos suaves".
Quanto à praça de táxis, "com o redesenho da praça oeste [atual] para pedestres", seria "transferida inteiramente para a nova praça da estação AV [alta velocidade]", a leste, junto à Rua Pinheiro de Campanhã, mas sinalizava-se que deveria "ser avaliada a proibição de estacionamento de táxis, de modo a manter um espaço tranquilo e a evitar a situação atual da praça oeste".
Porém, no projeto mais recente, cuja consulta pública terminou no final de junho, o automóvel voltou a constar do projeto urbano: mantém-se a praça de táxis, o acesso ao estacionamento subterrâneo e uma via de circulação para carros até praticamente à porta do edifício principal.
Nos documentos do projeto, o consórcio avança com a "intenção de arborizar a praça poente frente ao edifício de estação novecentista, e de condicionar o transito apenas a veículos autorizados, táxis e acesso ao parque de estacionamento".
Questionado pela Lusa, o consórcio AVAN Norte respondeu que "a alteração resulta do próprio desenvolvimento do projeto", pois "na fase de aprofundamento técnico, foram detalhados os estudos de funcionamento e articulação dos diferentes modos de transporte".
"Esse trabalho evidenciou a importância de manter o acesso de táxis e TVDE no lado poente da estação, garantindo melhores condições de interligação e serviço. Esta opção é também coerente com a visão urbanística, definida pelo Arq. Joan Busquets, para a estação Campanhã, que já previa essa solução", respondeu.
Já sobre se a alteração tinha sido pedida pela Câmara do Porto, o consórcio AVAN Norte negou, dizendo que "decorre exclusivamente da evolução técnica do projeto e das conclusões dos estudos realizados".
No parecer que fez ao primeiro projeto, a Câmara do Porto, já liderada por Pedro Duarte (PSD/CDS-PP/IL), declarou que "nada há a obstar quanto à solução proposta para redesenhar e reabilitar o alargamento do espaço público existente em frente ao atual edifício da estação de Campanhã".
Quanto ao novo projeto, a Lusa questionou a autarquia há um mês sobre se revia nas alterações feitas pelo consórcio para o segundo projeto, se preferia que fosse dado mais espaço ao peão com a potencial instalação de esplanadas ou se iria permitir que o automóvel continuasse a estar muito presente na praça como acontece atualmente, mas não obteve resposta até ao momento.
