China de novo em alerta por causa de um vírus. O que se sabe sobre surto de HMPV?
Autoridades já decretaram medidas de emergência, mas desvalorizam o aumento de casos.
Cinco anos depois da covid-19 ter começado a paralisar o mundo, há um novo surto a deixar a China em alerta. Está a ser causado pelo metapneumovírus humano, mais conhecido como HMPV. O aumento de infeções, sobretudo em crianças no norte do país, está a levar à sobrelotação de hospitais, segundo o The Independent. As autoridades decretaram medidas de emergência, mas olham para o fenómeno com normalidade, uma vez que o aumento de casos relacionados com vírus respiratórios é natural no inverno.
Que vírus é este?
O médico de saúde pública Guilherme Duarte explica que o HMPV é um vírus respiratório parecido com muitos outros, como a gripe e o SARS-CoV-2, que deu origem à Covid-19. O especialista adianta que “foi identificado pela primeira vez em 2001 e, por isso, já tem alguns anos de vigilância”.
Quem pode ser afetado e quais os sintomas?
“Pode afetar pessoas de todas as idades, mas é mais perigoso em crianças pequenas, idosos e indivíduos imunocomprometidos”, afirma Guilherme Duarte.
O médico diz que os sintomas são idênticos aos dos vírus respiratórios: “febre, tosse, congestão nasal, falta de ar e, em casos mais graves, bronquiolite e pneumonia”
A transmissão “ocorre por gotículas respiratórias, ou seja, é pessoa a pessoa. Também pode ser por contacto direto em superfícies contaminadas”.
Há o risco de alastrar a outros países?
Para além da China, só Hong Kong, de acordo com o The Independent, é que relatou alguns casos. Países vizinhos como Camboja e Taiwan estão a acompanhar de perto a situação, sendo que o Camboja foi o único que emitiu alertas por encontrar semelhanças com a Covid-19. A Índia diz que para já não há necessidade de pânico, uma vez que o HMPV é um vírus “como qualquer outro”.
Guilherme Duarte explica que o período de incubação é curto: “É de três a cinco dias. Quer isto dizer que é mais curto do que o vírus que dá origem à Covid-19. Naturalmente que uma pessoa apanha um avião numa ponta do mundo e 24 horas depois está noutra e por isso a possibilidade de propagação para outros países existe sempre”.
O acompanhamento que as autoridades têm feito é o devido?
O médico diz “este vírus está presente em nós” e lembra que “o Boletim de Vigilância Epidemiológico do Instituto Nacional Dr. Ricardo Jorge já tinha identificado nesta época gripal um caso de HMPV em Portugal”. Guilherme Duarte acrescenta que “muitos outros casos estarão em circulação”.
Quanto à atuação da China, o especialista diz que até ao momento “não divulgou qualquer informação de relevo”, estimando que o país “está a tratar dos casos com normalidade”, atendendo à época do ano que leva mais pessoas aos hospitais com a maior circulação de vírus respiratórios.
Guilherme Duarte afirma que as autoridades devem monitorizar o vírus, sem “nunca o subestimar”.
A Organização Mundial da Saúde até agora não sinalizou esta situação como emergência de saúde global. Em Portugal, a Direção-Geral de Saúde, numa resposta enviada à redação, revela que "até à data, não há indicação de expressão do vírus HMPV em Portugal, apenas a deteção, pontual, de uma amostra na rede de vigilância laboratorial dos vírus respiratórios".
A DGS acrescenta que o "vírus HMPV é habitual, circulando nas épocas de inverno em ambos os hemisférios, causando constipações habitualmente sem especial gravidade" e que "a sua expressão atual surge no contexto de outros vírus que não circularam entre a população durante a pandemia".
