Novos livros da Porto Editora chegam às livrarias e refletem os dilemas do nosso tempo
Os primeiros meses deste ano de 2026 trazem às livrarias um conjunto vasto e diverso de novidades da Porto Editora, cruzando ficção e não ficção, vozes consagradas e estreias promissoras.
Entre romances que interrogam o presente, clássicos revisitados e ensaios que ajudam a compreender o mundo contemporâneo, o panorama literário revela-se particularmente rico e atento às grandes questões sociais, políticas e humanas.
Na literatura portuguesa, surgem duas novas vozes a merecer destaque. Telhados de Vidro, de Rute Lourenço, acompanha a vida dupla de uma atriz de sucesso, cuja imagem pública contrasta com uma relação íntima marcada pela violência doméstica. Já em Sem Perdão, André Neves Braga constrói um thriller intenso, no qual uma noite de celebração se transforma num confronto inesperado, provando como um instante pode alterar um destino inteiro.
Rui Zink regressa ao romance com OLGA Salva o Mundo, uma narrativa que cruza investigação policial, linchamentos públicos e desinformação, questionando a justiça popular e o impacto da inteligência artificial na formação da opinião pública. Ainda na ficção nacional, Alberto S. Santos apresenta As Rosas de Barbacena, um romance histórico que transporta o leitor até à cidade-manicómio de Minas Gerais, no Brasil, num mergulho perturbador no passado.
A ficção internacional também ocupa um lugar central nesta temporada editorial. Da literatura hispânica chegam os novos livros de Leonardo Padura, que explora os traumas da guerra em Morir en la Arena (título original), e de Rosa Montero, que reflete sobre os perigos da inteligência artificial em Animais Difíceis. Entre os destaques está ainda Gigi, de Colette, agora recuperado na coleção Escrever é Traduzir, numa tradução de José Saramago, que devolve aos leitores portugueses a delicadeza da autora francesa.
Entre estreias e regressos, sobressaem Jean-Baptiste Andrea, Prémio Goncourt 2023, com Des diables et des saints (titulo original), Julia R. Kelly com A Oferenda do Pescador, e Florence Knapp, que se estreia com Os Nomes, um romance comovente sobre identidade, trauma e herança familiar.
O catálogo de clássicos é igualmente reforçado. A obra de Thomas Mann regressa com novas edições de A Montanha Mágica, Desordem e Primeira Paixão e Os Buddenbrook. Da Nobel Annie Ernaux chega O Uso da Fotografia, enquanto a literatura contemporânea ganha novas vozes com As Noites Frias da Infância, da autora turca Tezer Özlü, e Debaixo de Água, estreia de Tara Menon, inspirada no tsunami de 2004.
Na não ficção, os livros convidam à reflexão e ao debate. Henrique, o Navegador, de Erika Fatland, revisita a presença portuguesa no mundo, enquanto Gente como Nós, de Miguel Herdade, questiona desigualdades sociais e educativas. A política global marca presença em títulos como Como sobreviver ao Trumpismo?, As Novas Armas da Guerra e We Need to Talk About Xi, que analisam tensões geopolíticas e novas formas de poder.
Há também espaço para obras inspiracionais e de desenvolvimento pessoal, como Esperança em Ação, da antiga primeira-ministra da Finlândia Sanna Marin, O Cérebro em Evolução, de Paul Goldsmith, ou Emagrecer com Ciência, de António Pedro Mendes, que propõem leituras informadas e acessíveis sobre temas atuais.
A poesia e a literatura portuguesa ocupam um lugar de destaque com antologias de Rui Lage e José Alberto Oliveira, novas edições de Alexandre O’Neill e José Rodrigues Miguéis, e estreias como Bernardo Maria Salgado e Ana Isabel Mouta. A literatura estrangeira surge ainda com a poesia completa de Georg Trakl e os Diários de Viagem de Matsuo Bashô.
Por fim, os leitores mais jovens não são esquecidos. O segundo volume de Criaturas Impossíveis, de Katherine Rundell, chega às livrarias, a par de novas coleções de aventura e humor, como Os Walkers, de Maria Inês Almeida, e O Gangue dos Cavaleiros, de Sofia Pereira.
