O dia em que uma onda de água e lama varreu povoações no Nepal e Tibete

Morreram pelo menos 160 pessoas e centenas estão desaparecidas, incluindo uma portuguesa.

O Nepal sofreu hoje uma inundação catastrófica no norte, especialmente o distrito de Rasuwa, perto da fronteira com o Tibete, na China, com um balanço provisório de mais de 150 mortos e centenas de desaparecidos, a maioria turistas, incluindo uma cidadã portuguesa.

Enquanto os trabalhos de resgate continuam nesta zona montanhosa do país dos Himalaias, estes são os pontos principais sobre a catástrofe, num trabalho da agência espanhola EFE:

O que aconteceu? 

A vaga de água e lama atingiu por volta das 09h15 locais (04h30 em Lisboa) o rio Bhotekoshi a partir da zona tibetana e afetou com particular gravidade as localidades de Timure, Rasuwagadhi e Syabrubesi, segundo fontes oficiais.

A água atingiu também o território chinês.

Dezenas de imagens de câmaras de vigilância mostram pequenas povoações inteiras, albufeiras, pontes e outras infraestruturas a serem completamente destruídas quando o rio que as atravessa sobe repentinamente, enquanto dezenas de pessoas correm a tentar fugir das inundações.

As autoridades mobilizaram as forças de segurança e as equipas de emergência enquanto tentavam determinar a dimensão dos estragos e localizar as pessoas que permaneciam incontactáveis.

O que causou a inundação?

As autoridades continuam a avaliar a origem da enxurrada, visto que num primeiro momento se considerou a possibilidade de transbordo ou rutura de um lago glaciar no Tibete, mas apontou-se também para um sismo que poderá ter estado na origem da emergência.

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Nepal, Shishir Khanal, afirmou preliminarmente que um sismo ocorrido às 08:37 locais (03:52 em Lisboa) terá provocado um grande deslizamento de terra, bloqueando o curso do rio e originando depois a inundação.

O Serviço Geológico dos Estados Unidos registou a essa hora um abalo de magnitude 4,4, com epicentro a cerca de 77 quilómetros a noroeste da localidade nepalesa de Kodari.

O Kathmandu Post noticiou que a impossibilidade de os governos do Nepal e da China contactarem autoridades nas zonas afetadas, devido à destruição de infraestruturas, estava a dificultar o estudo da causa da catástrofe.

Como decorrem as operações de resgate?

O Governo do Nepal ordenou a mobilização de helicópteros do Exército e de empresas privadas para resgatar feridos e pessoas encurraladas, transportá-las para locais seguros e destacar todos os recursos necessários para a zona.

De acordo com o balanço mais recente da Autoridade Nacional para a Redução e Gestão do Risco de Desastres, as autoridades resgataram 80 pessoas por via terrestre e 116 por helicóptero.

O Governo declarou zona de catástrofe durante três meses as áreas afetadas pela enxurrada do rio Bhotekoshi.

Também disponibilizou cuidados médicos gratuitos para os feridos, alojamento e alimentação para quem perdeu as habitações e assistência financeira imediata para as famílias das vítimas mortais, de acordo com a legislação em vigor.

O executivo ordenou também a reabertura o mais rapidamente possível das estradas cortadas, o restabelecimento do abastecimento de água potável, eletricidade e telecomunicações, bem como a mobilização de recursos para a reconstrução das infraestruturas públicas danificadas.

Que ajuda internacional foi disponibilizada? 

A União Europeia (UE) ativou hoje o sistema de satélite Copernicus para mapear as zonas afetadas, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o bloco estava “pronto para mobilizar mais assistência”.

A Índia enviou de urgência 10 toneladas de material de ajuda humanitária e mantimentos médicos para o Nepal.

O Reino Unido mostrou-se “profundamente preocupado” e os Estados Unidos declararam-se prontos para “prestar assistência”, entre outras manifestações solidárias.

Em Portugal, o Governo manifestou solidariedade e a associação nepalesa Nialp anunciou que vai recolher ajuda para enviar para o Nepal “logo que possível”.

A Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV) libertou mais de um milhão de euros em fundos de emergência para apoiar a resposta da Cruz Vermelha do Nepal.