O festão latino de Maluma na MEO Arena
Sala esgotada (e a ferver) para receber o colombiano. A digressão "Pretty+Dirty" passou ontem à noite por Lisboa.
MEO Arena a rebentar pelas costuras para acolher o astro latino que incluiu Lisboa na digressão "Pretty+Dirty".
Antes da entrada apoteótica de Maluma, já se sentia a agitação na área circundante ao palco. A festa começou cedo e muito por culpa das proezas do DJ de serviço que serviu uma série de canções certeiras para não deixar ninguém esmorecer. Finda a tarefa do DJ e ainda sem avistarmos o colombiano, a festa na arena foi depois orquestrada pelos hits latinos que foram sendo disparados das colunas da sala. Ainda bem que a MEO Arena é ampla o suficiente para que possa caber tanta alegria.
A plateia só acalmou quando o ecrã gigante exibiu uma contagem decrescente para o início do espetáculo. Faltavam dez minutos. Um vídeo, que intercalava fotos e frases do cantor, despertou a atenção da massa humana. Olhos postos no palco. Algo estava prestes a acontecer.
Foi então que, ainda "preso" no ecrã, vimos Maluma. Apareceu sorridente e "debaixo" de um casaco de peles, interagindo virtualmente com os fãs, enquanto caminhava pelos corredores de um backstage rumo ao palco. A caminhada do colombiano ativou ainda mais as gargantas de quem estava na arena. Ouviram-se os tradicionais gritos. O entusiasmo, que nunca esteve propriamente contido, ganhou ainda mais volume.
Telemóveis em punho para filmar a aguardada entrada da estrela latina que magicamente "saltou" do vídeo para o palco, provocando uma onda gigante de euforia que se levantou do mar de gente que Maluma encontrou quando chegou.
Tudo a postos para o que se seguiu: perto de duas horas de concerto e um alinhamento caliente que concentrou mais de vinte temas que o colombiano foi buscar aos vários álbuns que editou desde 2012, havendo espaço também para canções que fez com outros artistas.
Acompanhado por uma banda, que ficou posicionada mais ao fundo, e um corpo de bailarinas, o colombiano serviu primeiro 'Borro Cassette' que saltou do álbum "Pretty Boy, Dirty Boy", editado em 2015.
À terceira canção, 'Obsesión', tira o casaco para soltar os movimentos. Maluma anda de um lado para o outro do palco, entrelaça-se com as bailarinas, pede braços no ar e cruza o olhar com os fãs. Segue, confiante, oferecendo os temas que encaixou no longo alinhamento. A dada altura, a arena explode de alegria com o ritmo de 'Carnaval'.
Só o piano de 'Marinero' acalmou os ânimos. A primeira balada da noite serviu para recuperar o fôlego, mas 'Vente Pa' Ca' (canção que o colombiano gravou com Ricky Martin) voltou a endiabrar a arena, que, sem qualquer sinal de timidez, retomou a festa num instante. Com as bailarinas e banda de volta ao palco, o energético Maluma (agora com uma t-shirt de alças) salta, passa a mão pelos abdominais, balança a anca e sorri.
'Corazón' puxou novamente pelas vozes do público. A letra da faixa de "F.A.M.E." estava, claramente, alojada na ponta da língua dos milhares que, em êxtase, aplaudiam, com devoção, o cantor. Maluma deixa que o coro de fãs cante parte da canção e contempla a aclamação. Com a mão na cabeça, sorriso inocente e com os olhos a reluzir de brilho, agradece o carinho. Muito obrigado", diz em português.
Passagem sem compasso de espera para 'Chantaje', canção que o colombiano partilha com a conterrânea Shakira, sendo que a ontem ausente "baby loba" foi substituída por um dos elementos dos coros que acompanhou o "pretty boy" na frente do palco.
'Cuatro Babys', que o colombiano fez com os rappers porto-riquenhos Noriel, Bryant Myers e Juhn, veio a seguir. O fundo vermelho e explosões pontuais de labaredas sobreaqueceram o momento. Maluma, que por esta altura suava (com estilo) e já estava sem t-shirt, tirou o casaco, expondo as muitas tatuagens que lhe cobrem a pele.
Era altura para voltar a mudar de roupa, regressando ao palco minutos depois para dar voz a '11 P.M'. do álbum "11:11" que editou em 2019 e ao qual ainda foi buscar 'HP'. Agora, vestido com uma camisa, pergunta pelas mulheres solteiras de Lisboa, uma questão que não fica sem resposta. A facção descomprometida da arena reagiu prontamente e com entusiasmo.
O hit 'Felices Los 4' começa mais vagaroso mas logo se apropria, com mais energia e ritmo, dos corpos de quem está na sala. Todos dançam. As vozes do público cruzam-se com a voz de Maluma, que ora dá uns passos de salsa com uma das bailarinas ora agarra, com convicção, o suporte do microfone.
'ADMV' devolve a calma ao espaço com o som do piano a serenar os ânimos. A dada altura, Maluma, amparado pelo piano e pelos acordes da guitarra, volta a contemplar a ovação do público, sorrindo e abanando a cabeça como se não merecesse tanto afeto. Manifesta gratidão com uma vénia demorada e, após um breve momento de introspeção, dirige algumas palavras aos que ali estavam. A arena silencia-se para escutá-lo.
"Uau. Boa noite", diz em português. Não falo muito bem [português] mas compreendo um pouquinho. Vocês sabem", acrescentou, voltando logo depois ao espanhol, claramente confiante que ia ser entendido. "Muito obrigado por estarem aqui. Este é o meu penúltimo concerto da digressão pela Europa. Só falta um espetáculo em Madrid", continuou.
"Quero dizer que nunca estive tão feliz na minha vida e sinto-me assim graças a vocês. Muito obrigado. Estou a crescer. A minha carreira já soma 14 anos. Comecei com 16, tenho 31. E sei que tenho um caminho pela frente para cumprir os meus sonhos. Isto não seria possível sem vocês. Um aplauso para vocês. Muito obrigado, Lisboa", disse Maluma que entretanto parou o discurso para aplaudir os fãs que tinha à frente.
"Termino [esta tour] com o meu coração cheio de felicidade e de amor. Com muitos momentos de esperança e com lembranças de lugares incríveis. E, acreditem, não digo isto só por estarem aqui, mas esta noite é uma das mais especiais", confidenciou, pegando depois no telemóvel para filmar o público que tinha acabado de gabar e retomando o alinhamento.
Outro ponto alto do espetáculo foi quando a arena percebeu que estava prestes a escutar 'Hawái'. O hit de "Papi Juancho" começou praticamente a capella, sobretudo graças aos esforços vocais do público que, para não destoar do resto do concerto, sabia a letra de uma ponta à outra.
Tempo para mais uma muda de roupa. O colombiano, a suar em bica, sai do palco, mas a banda fica para entreter a arena por alguns minutos. Regressa não muito tempo depois para oferecer, com entrega e genica, mais alguns temas, entre os quais 'Djadja' e 'Hola Señorita'.
Eis senão quando, Maluma volta a sair do campo de visão do público, dando agora o palco ao grupo incansável de bailarinas. Uma a uma, protagonizam performances a solo ao som de excertos de hits radiofónicos globais, com passagens por mundos musicais diferentes, como o universo pop dos Black Eyed Peas ou o rock de Los Angeles dos Guns N' Roses.
Mais um pequeno compasso de espera e o foco passa a estar no centro da arena. Maluma, de óculos de sol e com o boné para trás, emerge agora em cima de uma plataforma no meio da plateia. Canta o mais recente 'Cosas Pendientes' e recolhe mais uma ovação, agora bem mais próximo das palmas.
Saltam do alinhamento mais canções, como '+57' que mete toda a gente a ondular os braços, e 'X' que o colombiano canta sozinho, rodeado pela energia inesgotável dos fãs que mantiveram a força anímica ao longo das duas horas de espetáculo.
Depois de dar a voz e o corpo suado a 'Ohnana', Maluma declara-se a Lisboa e desce para junto do público, saudando quem encontra pela frente e distribuindo autógrafos. A meio do caminho para o palco, oferece a t-shirt a uma fã e embrulha-se numa bandeira de Portugal que "roubou" das mãos de alguém que visivelmente conseguiu um bom lugar na plateia.
A euforia prolonga-se e o êxtase só sossega com o intervalo de transição para o encore. É então que a agitação volta a instalar-se na sala lisboeta com o regresso de Maluma ao palco. Agora, com uma camisola da seleção portuguesa de futebol a tapar-lhe as tatuagens, o cantor (que já foi futebolista) senta-se para cantar 'Sobrio' (do disco "Don Juan"), acompanhado pela guitarra acústica e pelas vozes do público. No final do tema, oferece, com gentileza, rosas às filas da frente.
O grande final arranca com 'Según Quién' e termina com o energético e festivo 'Coco Loco'. O concerto acaba com uma explosão colorida de serpentinas e confetti. Há fogo de artifício e mais um agradecimento de Maluma a quem não faltou ao festão que ontem deu na arena lisboeta.
