O início das aulas é uma boa altura para pensar na mesada dos miúdos?

No Dia Internacional da Literacia, Cristina Judas, educadora financeira infantil, deixa recomendações sobre a atribuição da mesada.

A poucos dias do início do ano letivo, há pais que ponderam começar a dar mesada aos filhos. Cristina Judas, educadora financeira infantil, defende que se deve começar a falar de dinheiro cedo em casa, muito antes do início das aulas.

“Uma mesada não tem de ser atribuída porque o ano letivo começou, mas sim a partir do momento em que os pais têm a consciência de que é necessário que os filhos comecem a ter noções de gestão de dinheiro”, explica.

O momento para se começar a falar de dinheiro

E quando é que se deve começar a falar de dinheiro? A educadora financeira infantil considera que deve “acontecer muito mais cedo do que aquilo que a maioria dos pais imagina. A grande maioria das aprendizagens sobre dinheiro (80 por cento) acontecem muitas vezes antes de se começar a falar no assunto, por tudo aquilo que os filhos vivem e experienciam com os pais no dia a dia”.

À pergunta sobre quando é que se deve começar a dar mesada, Cristina Judas diz que o assunto deve começar a ser pensado no momento em que as crianças começam a pedir coisas aos pais, por volta dos 2 ou 3 anos com a atribuição de uma mesada simbólica. “É uma mesada que é atribuída de forma esporádica e aleatória, não tem valor fixo, nem prazo definido”.

A partir dos 5 ou 6 anos, a especialista aconselha os pais a darem a chamada “mesada educativa” e recomenda que comece por ser entregue semanalmente. Cristina Judas explica porquê: “dá a oportunidade aos pais de falarem do dinheiro quatro vezes por mês com os filhos e também dá uma maior perceção de gestão às crianças”.

Como calcular o valor a dar de mesada?

Quanto ao valor a dar, há várias recomendações. “Uma delas é dar um euro por cada ano de idade por semana. Existe uma segunda recomendação que é dar metade. No caso de uma criança de 5 anos daria 2,5 euros por semana. Mas imaginar que existe aqui uma família que não tem capacidade para dar 2,5 euros por semana, só tem para dar 1,5 euros ou 1 euro. É preferível esse valor do que não dar nada”, conclui.

A educadora financeira infantil remata que, independentemente do valor, há uma regra de ouro: caber no orçamento familiar.