OE2026: Chega avisa que Governo deve encarar partido como "parceiro preferencial"

Rita Matias sublinha o partido de André Ventura como "líder da oposição" e diz esperar que não "se repitam negociações à porta fechada, nem conversas que depois são negadas publicamente".

A deputada Rita Matias, do Chega, considerou esta quarta-feira que os portugueses escolheram o parceiro preferencial do Governo para as negociações do Orçamento do Estado para 2026 e indicou que o partido está "de portas abertas para o diálogo".

"Estamos atentos e queremos colaborar. André Ventura deixou as portas abertas para uma negociação e esperamos que o Governo, ao contrário do ano passado, perceba que há um parceiro preferencial. Esse parceiro preferencial foi decidido pelos portugueses no dia 18 de maio, ao ter dado uma maioria expressa à direita, uma maioria reforçada também pelo partido Chega", afirmou.

A vice-presidente da bancada do Chega falava aos jornalistas na Assembleia da República, após uma reunião com vários membros do Governo para discutir o Orçamento do Estado para 2026, o conflito no Médio Oriente, a lei da nacionalidade e dos estrangeiros e a criação de novas freguesias.

Rita Matias indicou que "aquilo que o Chega quer é que o Governo não ande aos ziguezagues".

"Os líderes da oposição somos nós e estamos disponíveis para uma negociação. No entanto, isto não é sobre como começa, é sobre como acaba. Começa com o Chega de portas abertas para o diálogo, mas não vamos também tolerar tudo e reforçamos que não queremos que se repitam situações como a do ano passado", afirmou.

A deputada pediu clareza ao Governo e que não "se repitam negociações à porta fechada, nem conversas que depois são negadas publicamente". 

O Chega quer que o próximo Orçamento do Estado inclua uma redução da carga fiscal, um aumento das pensões e Rita Matias salientou que estas serão condições para o partido viabilizar o documento. O partido vai propor também o aumento das deduções fiscais em sede de IRS com despesas de habitação e um corte de despesa no Estado.

Rita Matias referiu também que o “Governo sinalizou alguma preocupação, nomeadamente ao nível da execução do PRR, por depender de transferências e de empréstimos do próprio Estado, ao nível de 1% do PIB”, e que prevê terminar este ano com um superavit.

A deputada afirmou ainda que o partido voltará a reunir-se com o Governo.

Sobre a criação de novas freguesias, outro dos temas abordados na reunião, Rita Matias referiu que o Chega irá acompanhar “o Governo nos diplomas para solucionar problemas herdados da maioria absoluta socialista”, apesar de considerar que “serão apenas pensos rápidos”.

A dirigente do Chega afirmou que “está a ser um período caótico” e que “há um conjunto de comissões de extinção das freguesias que não estão a encontrar paz social nesse processo”.

“No fundo o que se tem que decidir é se esta desagregação é à luz de um casamento por comunhão de bens ou por comunhão de adquiridos”, referiu, especificando que “há freguesias que não se entendem em relação a questões tão básicas como os funcionários, como os seus bens, como aquilo que têm em comum”.