PCP anuncia vota contra OE2027

O secretário-geral do PCP diz que não precisa de ver o documento para tomar essa decisão.

O secretário-geral do PCP anunciou hoje que o partido votará contra a proposta de Orçamento do Estado para 2027, sublinhando que não precisa de ver o documento para tomar essa decisão.

"Eu não preciso de conhecer o documento [Orçamento do Estado] para dizer que vamos votar contra, porque se isto é um instrumento desta política, nós não podemos apoiar qualquer que seja um instrumento desta política", disse Paulo Raimundo em resposta aos jornalistas, na Assembleia da República, no encerramento das jornadas parlamentares do PCP, que decorreram entre quinta-feira e hoje, em Lisboa.

O líder comunista insistiu ainda nas críticas ao PS pela provável abstenção, acusando o partido de "dar gás" à política do Governo e de "libertar o Chega" de ter de viabilizar a proposta.

"O que é que aconteceria se o Partido Socialista não viabilizasse este orçamento? O Chega ia viabilizá-lo", previu.

Raimundo afirmou que o Orçamento é um instrumento da política do executivo que pretende, argumentou, o "desmantelamento do Serviço Nacional de Saúde", maior "pressão sobre os salários" e uma "política de aperto sobre as questões da habitação".

"É esta política do 'não faz nada' para atacar a injustiça e a desigualdade, nem resolve o problema das 300 mil crianças que estão na situação de pobreza. É esta política que pelos vistos o Partido Socialista está disponível para lá apoiar, mesmo sem conhecer o documento", atirou.

Para o secretário-geral do PCP, a posição do PS "vai dar espaço à demagogia, à hipocrisia, à mentira e por aí fora".

Porém, ressalvou, a abstenção dos socialistas "infelizmente não admira, mas entristece".

Paulo Raimundo considerou ainda que está em funcionamento um "bloco central" formado por PSD e CDS-PP com apoio do Chega, que viabilizou, na generalidade, a proposta do Governo para o arrendamento, o PS, que viabilizará o OE, e ainda a IL.

"Antigamente falava-se no bloco central a dois, agora temos de falar no bloco central a cinco. Essa é que é a diferença. E vou enumerá-los, para não ficar a dúvida: PSD, CDS, PS, Iniciativa Liberal e Chega, são os cinco do bloco central. E todos a jogar a avançado, a marcar golos contra a baliza das nossas vidas", atirou.