Olhar para o passado à descoberta do futuro da megafauna
Universidade do Novo México examina milhares de fósseis no Texas Memorial Museum, em Austin.
Os elefantes são importantes? E um rinoceronte? Ou leões? O que acontece se a Terra perder os seus últimos grandes animais? Uma nova pesquisa da professora de biologia Felisa Smith da Universidade do Novo México mostra os profundos impactos da perda de mamíferos de grande porte, ou megafauna, nos ecossistemas.
Felisa Smith e a sua equipa publicaram um artigo: "A extinção da megafauna do Pleistoceno tardio leva à falta de espaço ecológico numa comunidade de mamíferos da América do Norte", no Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).
Na pesquisa, Felisa Smith olhou para o passado para obter pistas sobre o futuro dos grandes mamíferos, que estão a diminuir a um ritmo alarmante.
"O estado de conservação dos mamíferos de grande porte na Terra hoje é terrível. O seu declínio tem sérias consequências, porque estes animais têm papeis ecológicos únicos. Mas esse tipo de perda de biodiversidade já aconteceu antes. Uma extinção generalizada dos mamíferos de grande porte presentes na época através de algumas das mesmas atividades que ameaçam os mamíferos hoje.", disse a investigadora Felisa Smith. "Aqui usamos o registro fóssil dessa extinção anterior para explorar o que aconteceu depois com os mamíferos sobreviventes."
A equipa concentrou os seus esforços numa comunidade de mamíferos do Edwards Plateau, no Texas, examinando milhares de fósseis localizados no Texas Memorial Museum em Austin, Texas.
Ao medir isótopos estáveis ??em ossos fósseis, foram capazes de caracterizar a dieta, e as medições de dentes e ossos longos permitiram estimar o tamanho do corpo. Foi assim possível reconstruir a antiga teia alimentar do Pleistoceno terminal e ver como esta mudou após a extinção. "Encontramos uma reorganização significativa da comunidade após a extinção, particularmente entre os carnívoros, bem como uma perda de complexidade ecológica. A perda de complexidade provavelmente significou uma redução na resiliência do ecossistema.", disse Emma Elliott Smith, ex-aluno de pós-graduação da Universidade do Novo México (UNM) e coautor do artigo.
Os resultados foram particularmente impressionantes para a amostra de felinos, que incluía duas espécies de gatos-dentes-de-sabre, o leão-da-caverna americano, as onças e o lince.
"Descobrimos que depois da extinção dos gatos com maior porte, a onça-pintada tornou-se o principal carnívoro e mudou a sua dieta para se concentrar em bufalos, provavelmente em grande parte bebés, um nicho anteriormente preenchido pelos gatos extintos.", disse Felisa Smith. "Os leões-da-montanha que antes estavam ausentes, provavelmente por causa da competição, tornaram-se comuns e os linces também mudaram a sua dieta e tamanho corporal."
"Curiosamente, não vemos mudanças significativas na dieta dos canídeos.", acrescentou Elliott Smith. " Os coiotes, as raposas e o lobo restante ficaram praticamente no mesmo espaço isotópico e de tamanho corporal. Isso mostra como são ecologicamente flexíveis."
O declínio moderno dos elefantes, girafas, rinocerontes e outros mamíferos de grande porte tem sérias consequências no ecossistema por causa dos seus importantes papéis funcionais, como influenciar as interações ecológicas, bem como a estrutura e composição das plantas e os ciclos biogeoquímicos.
"Os mamíferos menores simplesmente não desempenham o mesmo papel dentro das comunidades.", disse Elliott Smith. "É extremamente importante entender como o declínio ou a potencial extinção dos últimos mamíferos de grande porte remanescentes da Terra pode mudar os ecossistemas. Não podemos dar-nos ao luxo de perder esses mamíferos de grande porte."
