OneRepublic trazem a "Lisboa em festa" até ao Meo Arena

A volta da banda norte-americana a Lisboa depois de onze anos não deixou nenhum êxito de fora.

OneRepublic escolheram Lisboa como última paragem para a digressão “Escape to Europe”. Depois de passarem por mais de vinte cidades, o grupo despede-se da Europa com o retorno a Portugal depois de onze anos. Nesta noite no Meo Arena, nenhum êxito ficou de fora e o público acompanhou cada segundo.

O palco ilumina-se com cores, enquanto o sexteto entra em palco: Ryan Tedder (vocalista), Eddie Fisher (baterista), Zach Filkins (viola acústica), Drew Brown (piano), Brian Willet (percussão) e Brent Kutzle (viola acústica). O pontapé de saída é dado com ‘Feel Again’ (2013, Native) e ‘Kids’ (2016, O My My). Em Good Life (2009, Waking Up) o vocalista Ryan Tedder aproveita a letra para substituir L.A. por Lisboa e Colorado por Portugal (“my friends in Lisbon they don’t know where I've been for the past few years or so, Paris to China to Portugal”. Numa tradução livre, “Os meus amigos em Lisboa não sabem onde eu tenho estado nos últimos anos, de Paris à China até Portugal”).

É depois das primeiras músicas que Tedder se dirige ao público pela primeira vez, admitindo que “já fazia algum tempo” desde a última visita. É a terceira vez que os OneRepublic vêm a Portugal: estiveram no Coliseu dos Recreios, em 2009, e na Meo Arena (2014). Durante a pandemia tiveram uma passagem agendada pelo North Fest, em 2021, que não se chegou a concretizar. O vocalista afirma que precisava de “um dia de sol nesta bela cidade” como esteve este domingo em Lisboa para este último concerto da digressão. É a primeira vez que a banda “vê o sol nas vinte e duas cidades por onde passou desde que começou” a 18 de novembro na Irlanda. O vocalista brinca que se for encontrado na Europa será em Lisboa e retoma a viagem musical pelos dezoito anos de carreira do grupo com um dos mais recentes singles ‘Runaway’ (2024, Artificial Paradise) e o instrumental ‘Singapore’ (2024, Artificial Paradise).

Sem se prenderem a uma linha cronológica, o violoncelo faz com que a plateia recue quinze anos até ‘Secrets’ (2009, Waking Up). ‘Rescue me’ e ‘Run’ (2021, Human) antecedem a confissão do vocalista, que, na véspera do concerto, ao fazer uma deambulação noturna pela cidade, encontrou uma “Lisboa sempre em festa”. Antes de tocar ‘Stop and stare’, conta ao público que esta é a música mais importante da carreira: apesar de ‘Apologize’ ter sido o primeiro grande êxito de OneRepublic, foi uma explosão demasiado grande, e foi este segundo single possibilitou que as pessoas os conhecessem.

Enquanto um robot ilustra a música ‘Artificial paradise’ (2024, Artificial Paradise) no ecrã, a banda desloca-se para o segundo palco. Tedder afirma que ‘Life in Color’ (2013, Native) descreve Lisboa, “uma cidade cheia de história e cor” mais do que “qualquer outra cidade onde tenham estado. As lanternas iluminam a Meo Arena, os músicos trazem ‘Something I Need’ (2013, Native) a palco.


Num momento que “não é relacionado com música” mas sim com a diversão do vocalista, três bolas de futebol com os emblemas da seleção portuguesa e os autógrafos da banda são chutadas para a plateia. É uma tradição que a banda começou na Escócia e que remete para o sítio onde Tedder conheceu o guitarrista Zach Filkins. De volta a música, entramos naquilo a que Ryan Tedder chama o “Karaoke Lisboa”. Além de vocalista da banda, já trabalhou como artistas como Black Sabbath, Rosalía, Ed Sheeran, Taylor Swift, Leona Lewis e Beyoncé. Recorda dois grandes êxitos que marcaram a sua carreira, ‘Bleeding Love’ (2007), de Leona Lewis, que lhe pagou os “empréstimos da faculdade” e ‘Halo’ (2008), de Beyoncé – a primeira artista que o contactou enquanto compositor para falar sobre a canção que queria, sendo a única, além de Rosalía, a fazê-lo em vinte anos de carreira.

De volta ao palco principal, ouvem-se os sucessos da banda com ‘Lose Somebody’ (2020). Um solo de cordas soa para introduzir ‘Apologize’ (2007, Dreaming Out Loud), o primeiro lançamento de OneRepublic. Há tempo para agradecer à equipa que os acompanhou durante a digressão antes de revelar à plateia ‘Need your love’, a canção que a banda tem tocado nos últimos concertos e que só vai ser lançada no início do próximo ano. Sem deixar a animação do público cair seguem-se ‘I ain’t worried’ (2022), banda sonora de “Top Gun: Mavarick”, ‘Sunshine’ (2021, Artificial Paradise) e um retorno às origens com ‘Love Runs Out’ (2014, lançada numa reedição do álbum Native).

Um conjunto de vídeos, em que os fãs destacam o carinho pela banda, abre caminho para ‘I Lived’ (2013, Native), que é acompanhada por saltos na plateia. A banda abandona o palco e dá ao guitarrista Zach Filkins o seu momento de destaque para um solo de guitarra, onde com o pedal transporta-nos para ritmos espanhóis. Quando voltam, Tedder brinca que vai cantar Fado, enquanto os acordes anunciam ‘Counting Stars’ (2013, Native). Numa promessa de regresso, o vocalista promete que o Fado fica para uma próxima. Com o público ao rubro, chega a palco uma camisola da seleção nacional que o vocalista prontamente veste, antes de se deslocar para o segundo palco.

O concerto começa a dar indícios de estar a acabar, mas ainda há tempo para ouvir ‘I don’t wanna wait’ (2024) e ‘Calling (Lose my mind)’ (2012). Para fechar com chave de ouro a banda toca ‘If I lose myself’ (2013, Native) enquanto uma fã acompanha Ryan Tedder de volta ao palco principal. As despedidas são feitas ao som de ‘Wonderwall’ (1995) com o vocalista a cantar excertos da canção. Assim se despedem OneRepublic, com o público a deixar o Meo Arena a cantarolar Oasis. 

Para o concerto de abertura, estava previsto a atuação da britânica Ella Henderson que acompanhou a banda pela Europa, mas foi cancelado por razões de doença da cantora.