Ordem dos Médicos pede avisos públicos para evitar danos na visão no eclipse solar
A Ordem alerta que a observação direta do eclipse solar sem óculos certificados pode provocar "uma queimadura da retina".
A presidente do Colégio de Oftalmologia da Ordem dos Médicos defendeu hoje a colocação de alertas em locais públicos, como praias e miradouros, para sensibilizar a população para os riscos de observar diretamente o eclipse solar sem proteção adequada.
Em declarações à agência Lusa, Joana Ferreira afirmou que, apesar da divulgação do fenómeno astronómico que irá ocorrer no próximo dia 12 de agosto, poderá haver pessoas que estejam de férias ou em espaços de lazer e que não tenham conhecimento do eclipse e dos cuidados necessários para o observar.
"Seria muito importante haver todos estes avisos” nos meios de comunicação social e nos espaços onde se possa ver o eclipse, como praias ou miradouros que, em época de férias, deverão ser os locais mais frequentados, defendeu a oftalmologista, alertando que pode haver cidadãos que não estejam alertados de que só estarão seguros com óculos certificados.
Joana Ferreira explicou que a observação direta do eclipse solar sem óculos certificados pode provocar “uma queimadura da retina”, ou seja, uma retinopatia solar.
Esta retinopatia provoca “queixas de diminuição da visão central, de uma área do campo central, como uma mancha escura”, bem como visão distorcida ou alteração na visão cromática das cores, explicou.
A presidente do Colégio de Oftalmologia reforçou que nunca se deve olhar diretamente para o sol sem óculos certificados. Óculos de sol comuns, radiografias, CDs ou outros materiais improvisados não substituem essa proteção.
Alertou ainda que a observação através de binóculos ou telescópios exige filtros solares próprios e certificados, uma vez que estes equipamentos podem concentrar a luz solar e aumentar o risco de lesão ocular.
Relativamente às crianças, Joana Ferreira disse que deve haver vigilância redobrada por parte dos adultos, devido à curiosidade natural e à menor perceção dos riscos.
“É necessário estarem muito sob vigilância de um adulto para que não tenham aquela curiosidade de, deixa-me só espreitar, para ver como é que é sem os óculos”, acrescentou.
A mensagem principal, segundo Joana Ferreira, é a prevenção: os danos provocados por uma retinopatia solar podem ser irreversíveis, pelo que a observação do eclipse deve ser feita apenas com proteção adequada.
Portugal vai poder assistir na quarta-feira, pela primeira vez desde 1912, a um eclipse total do Sol, mas só numa pequena zona do Parque Natural de Montesinho, em Bragança, onde o fenómeno terá a duração de 26 segundos.
No restante território nacional, o eclipse será parcial, variando a percentagem de ocultação do Sol entre 92% e 99% no continente e entre 74% e 77% nas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira.
Além de Portugal, onde estão previstas sessões de observação um pouco por todo o país, este eclipse será visível, se as condições de observação do céu o permitirem, numa faixa que atravessa o Ártico, a Gronelândia, a Islândia e Espanha.
O anterior eclipse total do Sol em Portugal ocorreu em 1912 e o próximo será só em 2144.
