Os dias finais do Primavera Sound Barcelona, ou o que se espera no Porto
Haim, Wet Leg ou Fontaines D.C. vêm calibrados da outra ponta da península.
Depois do lamiré do primeiro dia das ocorrências no festival Primavera Sound, em Barcelona, fazemos um pequeno sumário dos dias finais, em antecipação ao que pode vir a acontecer no Porto. É como se estivéssemos a desvendar um segredo mal guardado.
As três irmãs Haim, a ocuparem a frente do palco, levaram a Barcelona a sua pop indie efusiva, com o apoio do baterista Jody Giachello. Pelo que se viu, as músicas novas do álbum “I Quit” (que sai a 20 de junho) vão estar em clara minoria no alinhamento – apenas três canções foram tocadas na Catalunha. As combinações vocais entre as três manas vão dar prioridade ao seu passado, em especial ao álbum “ Women in Music, Pt. III” (de 2020).
As Haim tocam no dia 14, entre 22h05 e as 23h35, no Palco Vodafone.
Também as inglesas Wet Leg têm novo álbum para lançar em breve, “Moisturizer”, com sete dos seus temas a serem tocados no Primavera Sound, incluindo, logo a abrir, o orgulhosamente feminista ‘Catch These Fists’, numa ambiguidade entre a dissuasão aos homens garanhões e a lascívia mulheril, o que torna o tema ainda mais provocador. O público no Parque da Cidade pode esperar as Wet Leg em quinteto, uma performance brava da vocalista Rhian Teasdale e uma surra de indie-rock.
As Wet Leg atuam no dia 14, no Palco Porto, entre as 21h00 e as 22h00.
Os Fontaines DC trazem o mesmo cenário e um alinhamento muito semelhante ao que tocaram no ano passado em Paredes de Coura, mas com o novo álbum “Romance” mais dominante e enraizado. O recinto do Palco Porto tem tudo para se tornar num moshódromo, com vista para o coração insuflado e a bandeira da Palestina que estarão em palco. Em Barcelona, o carismático vocalista Grian Chatten manteve-se fiel à sua camisola largajona e desportiva, às pisadelas ao monitor e às voltas com o suporte de microfone.
Os Fontaines DC tocam no dia 12, no Palco Porto, entre as 20h50 e as 22h05.
A dupla Beach House, em formato de trio, promete azular o Parque da Cidade, com um alinhamento bem disperso pela já extensa discografia do projeto. Em contraluz, vêem-se só as silhuetas da vocalista Victoria Legrand e do multi-instrumentista Alex Scally, mas sentem-se bem as canções de atmosferas melancólicas, que vão embelezar ainda mais o recinto arrelvado portuense e estrelar ainda mais o céu escuro.
Os Beach House atuam no dia 13, no Palco Vodafone, entre as 22h05 e as 23h05.
Os Turnstile mostraram em Barcelona o que se pode esperar no Porto, uma energia a rodos que contagia tudo e todos, à boleia de um hardcore que foge do rótulo e se torna outra coisa a maior parte das vezes. Vai ser uma injeção não só de energia como também de temas novos do aclamadíssimo álbum “Never Enough”, acabadinho de sair.
Os Turnstile tocam no dia 14 (noite de 14 para 15), no Palco Vodafone, entre a 1h00 e as 2h10.
O Parque da Cidade é um belíssimo espaço que convida a um passeio de família à tarde, mas não à noite, ou, pelo menos, não àquela noite de sexta-feira 13, ao som dos Chat Pile. A hora furiosa da banda norte-americana de noise e de sludge é muito sustentada pelo fantástico álbum de 2024, “Cool World”.
Os Chat Pile atuam no dia 13, entre as 11h20 e as 0h20, no Palco Super Bock.
Os TV on the Radio voltam a palcos nacionais 11 anos depois, com a locomotiva em andamento vinda de Barcelona, sem músicas novas, mas com o traquejo de um punhado canções escolhidas a dedo aos cinco álbuns da banda nova-iorquina. Tunde Adebimpe continua uma fera vocal, como se fosse um Marvin Gaye saído de um micro-ondas de rock industrial.
Os TV on the Radio tocam no dia 13, entre as 7h40 e as 8h40, no Palco Vodafone.
