Agressões nas escolas e a professores em crescimento. Veja os gráficos e os dados da GNR
No ano passado foram registadas 55 agressões a professores nas escolas portuguesas, nove delas em Aveiro, o distrito com mais casos deste tipo.
A Guarda Nacional Republica (GNR) registou, no ano passado, um total de 960 agressões em ambiente escolar, 55 delas contra professores. Em ambos os casos, há uma tendência de subida destes valores desde 2022.
Os distritos com registos mais elevados de agressões em 2024, tendo em conta os dados provisórios até 26 de novembro facultados pela GNR a esta rádio a propósito do Dia Internacional da Não Violência e da Paz nas Escolas, são Setúbal, com 143 agressões em ambiente escolar, e Aveiro, com o número mais alto de agressões a professores: nove.
Quanto ao local das agressões a docentes, no ano passado houve 51 dentro das escolas e, pela primeira vez nos últimos três anos, a GNR registou também quatro agressões num raio de cem metros à volta dos estabelecimentos.
Combater a violência como "forma de resolver problemas ou de integração"
A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) alerta que os programas de prevenção continuam a não chegar a todas as escolas. Carla Ferreira, da APAV, diz que é preciso pensar em “prevenir, mas de uma forma igual para todas as crianças do país e não ficar simplesmente ao critério das escolas, de quem está a lecionar a disciplina, por exemplo, de cidadania, de alguns agrupamentos que são proativos, outros nem tanto”.
Carla Ferreira diz que a maior parte das denúncias que a APAV recebe são de agressões entre alunos: “Continua a achar-se que a violência é uma forma de resolver problemas ou que é uma forma de integração. Há também quem ache que faz parte de uma brincadeira. Tem de ser feito todo um trabalho de mostrar às crianças que a violência não resolve problemas e que também não pode ser encarada como uma forma legítima de brincar."
Quem também tem notado um aumento de casos de violência, mas no caso de crianças com algum tipo de violência, é o Movimento Cidadão Diferente (MCD).
O coordenador do movimento, Miguel Azevedo, nota uma subida da violência “em particular no último ano, porque sem tem notado uma dificuldade de os agrupamentos respeitarem o número de assistentes operacionais necessários dentro das escolas para evitarem este tipo de situações”.
Miguel Azevedo acrescenta que as crianças com alguma deficiência mental continuam a ser alvos preferenciais dos agressores e diz que os telemóveis têm dificultado o combate à violência nas escolas.
O responsável pelo MCD diz que os vídeos das agressões “dão a indicação aos públicos que podem praticar atos de violência e que ganham mais visualizações, tornando-se estrelas de uma forma errada. Esses vídeos mostram também uma incapacidade de empatia dos alunos com o outro, com o que está a ser violentado”.
Para que sejam evitados atos de agressão, Miguel Azevedo pede a criação de uma campanha nacional de prevenção de violência nas escolas, na qual haja “trocas de experiência entre os alunos de todo a escola com alunos com deficiência”.
Numa resposta enviada à redação, o Ministério da Educação diz que está em vigor o plano “Escola Sem Bullying. Escola Sem Violência” e que o atual governo criou em 2024 um grupo de trabalho de combate ao bullying nas escolas. O gabinete do ministro Fernando Alexandre garante que as conclusões vão ser conhecidas no final deste mês de janeiro.
Agressões a professores por distrito
Evolução das agressões a professores por distrito entre 2022 e 2024
Local de ocorrência dos crimes
No ano passado, a GNR identificou 66 suspeitos de agressões a docentes, um número que cresce também tanto em relação a 2022 (11), como a 2023 (43), ano em que foi até detido um suspeito.
Números gerais também sobem
Os dados que a GNR disponibiliza sobre a generalidade dos casos de agressões que registou nos últimos três anos também mostram uma tendência de subida, com o maior salto dos últimos três anos a acontecer entre 2022 e 2023.
Em 2022, o Porto era o distrito com o maior número de agressões registadas, mas em 2023 foi ultrapassado por Setúbal, que se manteve no topo da lista também no ano passado. Lisboa foi, nos três anos, o terceiro distrito com maior número de agressões.
Total de agressões em ambiente escolar por distrito em 2024
Evolução das agressões nas escolas por distrito entre 2022 e 2024
Local de ocorrência das agressões
A maior parte das agressões entre 2022 e 2024 aconteceu dentro das escolas. Fora dos estabelecimentos, mas num raio de cem metros, as situações denunciadas aumentaram entre 2022 e 2023 mas diminuíram para 262 no ano passado.
Neste contexto, a GNR adianta um dado adicional relacionado com as ocorrências no trajeto casa/escola, um número que se manteve estável ao longo dos últimos três anos.
O número de agressores identificados subiu de 1094 para 1263 entre 2022 e 2023 (+169), mas teve uma ligeira quebra para 1246 (-20) no ano passado.
Já o número de detenções foi igual em 2022 e 2023 - nove - e desceu também em 2024 para sete.

