Ozzy Osbourne (1948-2025): as reações à morte do Príncipe das Trevas

O mundo continua a reagir à morte do músico histórico. Tinha 76 anos.

A notícia da morte de Ozzy Osbourne foi dada esta terça-feira (22 de julho) pela família do músico em comunicado.

"É com mais tristeza do que palavras podem expressar que informamos que o nosso querido Ozzy Osbourne faleceu esta manhã. Estava com a família e rodeado de amor", lia-se na nota.


John Michael Osbourne nasceu numa família da classe operária de Birmingham, Inglaterra, a 3 de dezembro de 1948. Foi o quarto de seis filhos e recebeu a alcunha de “Ozzy” quando ainda andava na escola primária. Um diagnóstico de dislexia e outras dificuldades levaram-no a desistir dos estudos quando tinha 16 anos, dedicando-se, como consequência, aos trabalhos temporários que iam aparecendo pelo caminho, como o de canalizador ou funcionário de um matadouro. Fora da escola e dentro da turbulência juvenil, aos 17 chegou a ser detido por pequenos furtos. 

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Quando meteu os pés fora da prisão, o músico inglês entregou-se à liberdade que encontrava na música. Em 1968, formou um grupo com o baixista Terence 'Geezer' Butler, o guitarrista Tony Iommi e o baterista Bill Ward, coletivo que, após alguns ajustes no nome, ficaria para a história do metal como Black Sabbath. 

A edição dos dois primeiros álbuns do grupo - "Black Sabbath" (1970) e "Paranoid" (1970) - foi uma pedra monumental no charco musical. Temas como 'The Wizard', 'War Pigs' ou 'Iron Man' consagraram-se na história do género e treparam o top do Reino Unido. Ozzy Osbourne esteve presente em nove álbuns da banda que arrecadou três Grammys, entre os quais o de reconhecimento da carreira. Em 2006, os Black Sabbath foram indigitados no Rock and Roll Hall Of Fame.  Em 2024, a honra do panteão do rock coube a Ozzy Osbourne a solo. 

Ozzy, também conhecido por Príncipe das Trevas, saiu do grupo em 1977, voltando a juntar-se à banda em 1978. Em 1979, e após ter gravado o álbum Never Say Die!, foi dispensado pelos colegas devido a um comportamento considerado errático e a questões relacionadas com o uso de drogas. Ronnie James Dio foi o homem que se seguiu no elenco do coletivo.

Blizzard of Ozz, o álbum com o qual o artista inglês se estreou a solo, foi editado em 1980, tendo conseguido a proeza de chegar ao top dez britânico e ao 21.º lugar da tabela norte-americana. 


A solo, o músico editou 13 álbuns de estúdio. O mais recente - Patient Number 9 - foi lançado em 2022. A lista de convidados do derradeiro disco de Osbourne é de peso. O malogrado Taylor Hawkins (que se destacou sobretudo como baterista dos Foo Fighters), Eric Clapton, Josh Homme (líder e guitarrista dos Queens of the Stone Age), Duff McKagan (guitarrista e baixista dos Guns N’ Roses), Chad Smith (baterista dos Red Hot Chili Peppers), Robert Trujillo (baixista dos Metallica), Mike McCready (guitarrista dos Pearl Jam) e Chris Chaney (atual baixista dos Jane's Addiction) estão nos créditos do registo discográfico que selou a obra de Ozzy. 

Sharon Osbourne, a segunda mulher de Ozzy Osbourne, teve um papel importante na gestão da carreira do músico. Em 1996, por exemplo, levou para a frente o famoso festival de metal Ozzfest. 

A 5 de julho, Ozzy Osbourne subiu ao palco pela última vez. O evento "Back To The Beginning" juntou novamente Ozzy Osbourne, Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward, que já não atuavam juntos há cerca de duas décadas, e foi chão para um autêntico desfile de pesos pesados da música.

Pelo palco montado em Villa Park, em Birmingham, passaram nomes como os Metallica, Guns N' Roses, Slayer, Ronnie Wood (dos Rolling Stones), Steven Tyler (dos Aerosmith), Tom Morello (Rage Against the Machine), Rival Sons, Tool, Pantera, Lamb of God, Alice In Chains, Mastodon, Gojira, entre outros. O "festival" contou ainda com "supergrupos" que misturaram vários artistas.   

"Estou de cama há seis anos, não fazem ideia de como me sinto", disse Ozzy Osbourne ao público na noite de despedida, agradecendo aos fãs:  "Obrigado do fundo do meu coração". 

Há cerca de cinco anos, o músico revelou que sofria da doença de Parkinson, o que forçou o cancelamento de toda a digressão que estava agendada para a América do Norte. Na altura, e no meio da adversidade, Ozzy Osbourne falou dos fãs como uma fonte de apoio. "Eles são o meu ar", adiantou. "Eu só quero que eles esperem por mim e que fiquem ao meu lado porque eu preciso deles".

Quando deu a notícia de que teria de parar por uns tempos, o Príncipe das Trevas também manifestou a vontade de voltar aos palcos. "Tenho saudades. Eu preciso disso. Essa é a minha droga agora, não as outras porcarias", disse no início de 2020.

O mundo da música tem estado a reagir à morte de Ozzy Osbourne:

Os Black Sabbath escreveram: "Ozzy para sempre".

"Adeus, meu querido amigo. Obrigado por todos estes anos. Divertimo-nos muito. Quatro crianças de Aston - quem diria? Estou tão contente por termos feito isto uma última vez, em Aston. Amo-te", escreveu Geezer Butler, um dos companheiros dos Black Sabbath. 

Tony Iommi - outro dos fundadores dos Black Sabbath - confessou ter poucas palavras para descrever a perda. "Simplesmente não posso acreditar. O meu querido amigo Ozzy faleceu semanas depois do nosso concerto no Villa Park. É uma notícia tão devastadora que não consigo encontrar palavras. Nunca haverá outro como ele. Meu Deus, o Bill e eu perdemos o nosso irmão. Os meus pensamentos vão para a Sharon e para toda a família Osbourne. Descansa em paz".

Bill Ward escreveu: "onde é que te vou encontrar agora? Nas memórias, nos nossos abraços silenciosos, nos telefonemas perdidos, não, estarás para sempre no meu coração. Sentidas condolências à Sharon e a todos os membros da família. Nunca será um adeus. Obrigado para sempre".

"É impossível colocar em palavras o que o Ozzy Osbourne significou para os Metallica. Herói, ícone, pioneiro, uma inspiração, um mentor e, acima de tudo, amigo", escreveram os norte-americanos Metallica nas contas oficiais. "Ozzy e Sharon acreditaram em nós e transformaram as nossas vidas e as nossas carreiras. Ensinou-nos a 'jogar nos grandes campeonatos' enquanto que, ao mesmo tempo, era caloroso, acolhedor, envolvente e brilhante. Estamos destroçados e devastados com esta perda e enviamos o nosso amor e condolências a Sharon e à família, aos colegas de banda e ao grande círculo de amigos que tinha. Deixou um legado incrível e vai fazer muita falta".


As palavras de Alice Cooper que soube da morte do músico pouco tempo antes de dar um concerto em Cardiff, no País de Gales: "Todos sabemos que o tempo vai levar-nos a nós, os roqueiros, mas quando os gigantes caem, é muito difícil aceitar. Apesar de toda a gente prever que poderia acontecer em breve ao Ozzy, a notícia cortou-nos a respiração. Ozzy e família - os teus discos, a tua música, a lenda que és e tudo o que nos deste - do humor ao negócio do rock. Isso tudo viverá para sempre. Vamos sentir a tua falta". O concerto foi dedicado à memória de Osbourne. 


"O mundo inteiro está de luto pelo Ozzy esta noite. Durante a longa carreira, conquistou um enorme respeito entre os pares e por parte dos fãs que o viram como um showman inigualável e um ícone cultural. Eu sempre vi o Ozzy como um cruzamento entre o príncipe das trevas, que é a persona que os fãs viram, e o brincalhão da corte. Esse foi o lado que a sua família e os amigos viram. Foi e continuará a ser uma lenda do rock n' roll. O rock n' roll é uma família e uma fraternidade. Quando perdemos um dos nossos, o rock sangra. Queria ter conhecido melhor o meu irmão Ozzy", refletiu ainda Cooper. 

O artista Yungblud, que fez parte do elenco do espetáculo de despedida de Ozzy Osbourne no início do mês, também se manifestou nas redes sociais. "Não imaginava que fosses partir tão cedo. Quando nos vimos pela última vez estavas cheio de vida. O teu riso encheu a sala. Mas parece que as lendas sabem coisas que nós não sabemos. Nunca te esquecerei. Vais estar em todas as notas que eu cantar e estarás comigo sempre que subir ao palco. A cruz que tenho no pescoço é a coisa mais preciosa que tenho. Uma vez perguntaste-me se havia alguma coisa que pudesses fazer por mim. Volto a dizer o que te disse na altura: fizeste o suficiente com a tua música. Levaste-nos para a tua aventura - uma aventura que começou tudo. Estou destroçado. Foste o melhor de todos". 
 

Os Iron Maiden também reagiram: "todos aqueles que estão ligados ao Iron Maiden enviam as sinceras condolências à Sharon e à família Osbourne pela triste notícia da morte de Ozzy. Ele ajudou a moldar o heavy metal tal como o conhecemos e, por isso, estaremos eternamente gratos aos Black Sabbath. Gratos por abrirem o caminho que tantos outros seguiram. Descansa em paz, Ozzy Osbourne".

Mike Bordin, o baterista dos Faith No More que também tocou com Ozzy Osbourne falou do impacto que o veterano inglês teve na sua vida. "É difícil expressar o impacto que este Homem teve na minha vida, na minha carreira e na minha família. Estou profundamente grato por cada momento. Sinto-me orgulhoso por poder ter tido um papel pequeno na sua história colossal. Descansa em paz, grande chefe. Amamos-te muito. Obrigado por tudo o que nos deste que foi tudo o que tinhas".

O inglês Robert Plant, o frontman dos Led Zeppelin, também se despediu de Ozzy Osbourne nas redes sociais. "Adeus Ozzy... que viagem... navega lá para cima... finalmente em paz. Mudaste o planeta do rock".  

Jimmy Page, guitarrista da icónica banda britânica, escreveu: "Querido Ozzy Osbourne, descansa em paz. As minhas e condolências para a família e amigos".

Na página oficial dos Motörhead: "Perdemos o nosso querido amigo hoje. Ozzy foi um pioneiro, uma força que nos guiou a todos no hard rock e no heavy metal e um tipo fantástico. Lemmy [falecido em 2015] e Ozzy eram irmãos de armas e viveram muitas aventuras juntos. É uma perda avassaladora. Descansa em paz, Ozzy. Vamos amar-te e celebrar-te para sempre". 


Nas contas dos australianos AC/DC lê-se o seguinte: "tão triste! Uma grande perda para toda a gente que o amava". 

"Estamos destroçados com a morte do nosso irmão do rock, Ozzy Osbourne", lê-se na publicação dos Aerosmith. "Uma voz que mudou a música para sempre. Dos Black Sabbath ao trabalho solo, Ozzy redefiniu o que significava ser pesado. Fez tudo com coração, com coragem e com o espírito selvagem que lhe era tão único. O nosso amor vai para a Sharon, para a família, para a sua banda e para os milhões que no mundo inteiro sentiram o fogo que ele tinha. Vais deixar saudades, nunca serás esquecido". 

Os Queen também manifestaram pesar nas páginas oficiais. "Os Queen estão profundamente tristes com a morte do lendário Ozzy Osbourne. A música que fez continuará viva".

O que escreveram os Judas Priest: "Os nossos corações estão destroçados tal como estão os corações de milhões à volta do mundo. Não há palavras para expressar o amor mas também a perda que todos estamos a sentir. Sharon, que Deus esteja contigo e com a tua família maravilhosa. Com amor, paz e luz. O Ozzy nunca partirá. A música que fez é eterna".  



"Descansa em paz, Ozzy. E obrigado por uma vida inteira de inspiração. O rock n' roll não teria um som tão alto ou seria tão divertido sem ti. Vais deixar uma saudade eterna", escreveram os Foo Fighters. 

"Ele conseguiu", escreveu o norte-americano Jack White. 


Os Pearl Jam publicaram um texto assinado pelo guitarrista Mike McCready que colaborou no último álbum a solo de Osbourne: "triste por saber que o Ozzy morreu hoje. Descobri os Sabbath quando andava no liceu. 'War Pigs' era aterrador e hipnotizante ao mesmo tempo. Foi a voz do Ozzy que me transportou para um universo sombrio. Uma grande fuga. Quando o disco 'Blizzard of Ozz' foi lançado fiquei automaticamente fã. O Randy Rhoads [guitarrista que tocou nesse álbum] influenciou-me a tocar guitarra. Por sorte, tive a oportunidade de tocar na música 'Immortal' do último disco [do Ozzy]". 



Os Coldplay homenagearam Ozzy Osbourne no concerto que deram ontem em Nashville, nos Estados Unidos. O grupo inglês tocou uma versão de 'Changes', tema que os Black Sabbath editaram em 1972. 

O britânico Elton John descreveu Osbourne como "um dos deuses do rock". "Era um querido amigo e foi um pioneiro que garantiu o lugar no panteão dos deuses do rock - uma verdadeira lenda. Também foi uma das pessoas mais engraçadas que já conheci. Vou sentir muito a sua falta. À Sharon e à família, envio as minhas condolências e o meu amor".

O músico Phil Collins também usou as redes sociais para deixar algumas palavras ao lendário britânico: "nos tempos felizes. Amor sempre".

 

O que se lê nas redes sociais dos Tool: "Escusado será dizer que foi uma figura icónica no cenário musical durante décadas bem como uma figura influente para muitos músicos que ouviram e apreciaram as grandes contribuições que deu à música rock. Verdadeiramente uma lenda".

"O Ozzy levou-nos na nossa primeira grande digressão de arenas. Ele e a Sharon presentearam-nos com o nosso primeiro disco de ouro. Ele ensinou-nos tanto sobre a indústria da música. Sentimos muita admiração. Vamos amar-te para sempre, nosso príncipe das trevas. Obrigado por todas as memórias inesquecíveis e por nos abrirem o caminho", escreveram os Korn. 


"Todo o nosso amor para os Osbournes", escreveram os Slipknot.

Joe Satriani agradeceu por uma "vida de música fantástica".


Os Prodigy escreveram: "as lendas nunca morrem".