Pagamentos em dinheiro recuperam espaço na zona euro e uso do telemóvel dispara

O inquérito foi realizado entre fevereiro e abril junto de 8.205 empresas.

A aceitação de pagamentos em dinheiro nas lojas da zona euro recuperou este ano, para 92% das empresas, após vários anos de recuo, enquanto os pagamentos por telemóvel quase duplicaram em dois anos, revelou hoje o Banco Central Europeu (BCE).

Em 2026, 92% das empresas com pontos de venda físicos aceitavam pagamentos em dinheiro, contra 90% em 2024, o que marca uma “recuperação após o recuo observado durante e imediatamente após a pandemia”, referiu o BCE, em comunicado.

O inquérito foi realizado entre fevereiro e abril junto de 8.205 empresas dos setores do comércio a retalho, da restauração, da hotelaria e do lazer nos 21 países da zona euro.

“Em geral, o dinheiro em numerário continua a ser o meio de pagamento mais amplamente aceite na zona euro”, sublinhou a instituição.

Ao mesmo tempo, a aceitação de pagamentos móveis registou uma forte aceleração, passando de 36% das empresas para 68% no espaço de dois anos.

Os pagamentos com cartão continuam a ser amplamente difundidos, com uma taxa de aceitação estável de 88%.

Um quarto das empresas inquiridas indicou ter tomado medidas para promover os pagamentos digitais, nomeadamente através do investimento em caixas registadoras que permitem pagamentos sem dinheiro ou da redução do número de caixas que aceitam dinheiro.

No total, 13% das empresas dispõem agora de caixas automáticas de autoatendimento.

Segundo o BCE, as empresas justificam a escolha de meios de pagamento principalmente pelas preferências dos consumidores, pela segurança e pela facilidade de gestão.

Apesar do crescimento do digital, continuam a associar o dinheiro a vantagens específicas, nomeadamente a “proteção da privacidade e a fiabilidade”, referiu o comunicado.

Esta persistência do dinheiro em numerário surge num momento em que o BCE defende o projeto de euro digital, que deverá coexistir com as notas e as moedas a partir do seu lançamento previsto para o final da década.