Pais lamentam perfil automóvel na rua Guerra Junqueiro no Porto

Petição "Guerra Junqueiro Mais Alegre" pedia que a autarquia procedesse à revisão do projeto para aquela rua.

Os pais de várias crianças das escolas da Rua Guerra Junqueiro, no Porto, cujas pretensões de alteração do perfil da via não foram acolhidas após discussão em Assembleia Municipal, lamentaram hoje a "oportunidade desperdiçada numa cidade sufocada pelos automóveis".

"Precisamos de mudar a forma como planeamos a cidade. Todo este processo é uma oportunidade desperdiçada numa cidade sufocada pelos automóveis que continua a não dar alternativas às pessoas que estão dispostas a mudar. E uma cidade que não oferece escolha a quem quer mudar está a desperdiçar a sua melhor oportunidade de futuro", pode ler-se num comunicado enviado hoje à Lusa.

No texto, os peticionários, que angariaram mais de 1.100 assinaturas 'online' e tiveram várias reuniões com elementos da Câmara Municipal, questiona "a posição do executivo" liderado por Pedro Duarte (PSD/CDS-PP/IL), "que aliás tanto faz sonhar os munícipes ao assumir como objetivo explícito escutar a população e criar uma cidade para as pessoas".

Em causa está a petição “Guerra Junqueiro Mais Alegre”, lançada em março por um grupo de encarregados de educação de escolas naquela zona que pedia que a autarquia procedesse à revisão do projeto para aquela rua.

De acordo com um relatório da Assembleia Municipal, o projeto de beneficiação que a Câmara do Porto desenvolveu para a Rua de Guerra Junqueiro, cuja empreitada foi objeto de um concurso público, não permite que seja implantada uma ciclovia.

Segundo os peticionários, na Assembleia Municipal de segunda-feira "todos os partidos manifestaram o seu apoio à ideia de uma cidade que dê prioridade à segurança e à autonomia das crianças, em vez de fomentar o uso do automóvel", mas "o consenso durou pouco".

"Numa reunião prévia com representantes do grupo de mais de uma centena de mães e pais do Porto que criou a petição, o executivo havia sugerido converter em ciclovia uma das quatro faixas da rua atualmente reservadas a automóveis", mas, de acordo com os peticionários, "num relatório enviado à hora de início da Assembleia, essa hipótese foi abandonada".

Assim, segundo os pais, "as obras com um custo de cerca de um milhão de euros, e com duração de um ano, pouco modificarão a atual repartição de espaço da rua", que "continuará a reservar a maioria do espaço a automóveis".

Os pais falam num "consenso na Europa que as crianças têm de ser colocadas na equação do desenho das ruas", pois é também consensual que "o carro, as buzinas, o trânsito, e o ar de má qualidade não pertencem a uma rua de escola" e que "as crianças precisam de fazer atividade física, e que as que caminham e andam de bicicleta para a escola têm melhor desempenho escolar e são mais saudáveis".

"Uma rua multimodal dá alternativas a quem pode escolher outro meio de transporte que não o automóvel, diminuindo precisamente o tão temido trânsito", apontam.

Denunciam ainda que continuará a construção de "uma cidade monomodal, centrada no automóvel e sem pensar nas crianças", apontando que as melhorias apontadas pelo executivo na segurança das passadeiras ou aumento de 25% dos passeios não são suficientes.

"É positivo, claro, que o desenho da rua impeça o estacionamento ilegal. No entanto, a requalificação de uma rua de escola não pode ser planeada apenas em função do comportamento abusivo de adultos: deve, sim, partir, desde o início, das necessidades e do bem-estar das crianças", referem.

Apontam também que uma rua de escola "não se planeia a pensar em lugares de estacionamento", que consideram estar "raramente ocupados na zona meridional da rua", que ilustram com imagens captadas de manhã e à noite.

Assim, consideram "urgente criar um verdadeiro programa municipal de ruas escolares" e, no caso da Guerra Junqueiro, apelam a que "o executivo converta de imediato pelo menos uma das quatro vias em ciclovia e adote medidas efetivas de segurança", pois "as crianças do Porto futuro não podem continuar a esperar".