Papa alerta para o problema das alterações climáticas
Papa Francisco entende que só não vê quem não quer, no que diz respeito ao problema das alterações climáticas, em especial no que diz respeito ao gelo do Ártico.
O papa Francisco disse hoje, a propósito da destruição do meio ambiente e da falta de consciência para esse problema, que "o Homem é estúpido".
O papa falava em conferência de imprensa durante a sua viagem de regresso da Colômbia.
Francisco usou uma frase do antigo testamento: "O Homem é um tolo, ele é um Homem teimoso que não vê, o único animal que tropeça duas vezes na mesma pedra", para criticar o facto de não serem tomadas medidas rápidas para proteger o ambiente das alterações climáticas.
"Aqueles que negam a mudança climática têm que ir aos cientistas e perguntar-lhes. Eles são claros e precisos", disse Francisco.
Francisco referiu-se às imagens recentes do Ártico.
"Os cientistas dizem claramente o caminho a seguir", disse o papa, acrescentando que "todos têm uma responsabilidade moral, mais ou menos, moral", acrescentou.
O gelo do Ártico é essencial à sobrevivência de espécies. Contribui também para travar o aquecimento global ao reenviar a radiação solar para o espaço e impedir o calor do oceano de aquecer o ar. Se este espelho gigante de gelo for substituído pelo oceano azul, a radiação solar é absorvida, o que acelera as alterações climáticas.
Mas a tendência de recuo da superfície gelada é nítida. O seu mínimo foi em 2012, quando se ficou pelos 3,41 milhões de quilómetros quadrados, que é metade da média do verificado entre 1979 e 2000.
Em média, a superfície gelada do Ártico tem oscilado entre cinco milhões de quilómetros quadrados no verão e 14 milhões no inverno.
Acresce que as dez extensões menores da superfície de gelo observadas desde 1979, quando começaram os registos obtidos por satélite, ocorreram todas a partir de 2007.
Em 2016, a região conheceu os seus doze meses mais quentes desde o início dos registos em 1900, calor que provocou um degelo inédito e atrasou a formação de gelo no outono.
Se nada for feito para diminuir o aquecimento global, o Ártico pode ficar sem gelo até meio do século, calcularam cientistas num estudo divulgado em março na revista Nature Climate Change.
