Parlamento vota moção de censura ao Governo

Moção apresentada pelo Chega é a primeira ao XXV Governo Constitucional.

A Assembleia da República debate e vota a moção de censura ao Governo apresentada pelo Chega, centrada na manutenção do ministro da Administração Interna, Luís Neves, no executivo, e que tem chumbo garantido.

A moção intitula-se "Pelo fim de um Governo sem autoridade política, incapaz de assumir responsabilidades e de garantir confiança nas instituições" e é a primeira ao XXV Governo Constitucional.

Na apresentação da moção, na quarta-feira, o presidente do Chega, André Ventura, disse ter "o objetivo claro de censurar o primeiro-ministro e o Governo pela manutenção de Luís Neves no cargo de ministro da Administração Interna".

Luís Montenegro classificou a moção como "mero jogo político" sem sentido, considerou que o ministro da Administração Interna tem mostrado aptidão para resolver os problemas nos seus setores de responsabilidade, e assegurou estar tranquilo em relação a todos os membros da sua equipa governativa.

O primeiro-ministro já disse que o Governo manterá o diálogo com todos os partidos, incluindo o Chega, e na segunda-feira André Ventura confirmou que continuará a dialogar com o executivo PSD/CDS-PP "em áreas fundamentais", dizendo já ter recebido um pedido de reunião do executivo sobre o próximo Orçamento do Estado.

A moção de censura do Chega vai ser a primeira ao XXV Governo Constitucional, a terceira a executivos PSD/CDS-PP liderados por Luís Montenegro e a 37.ª em democracia.

Esta será a quarta vez que o partido liderado por André Ventura recorre a este instrumento: duas vezes na XV legislatura contra o último Governo do PS liderado por António Costa e, com a discutida hoje, duas a executivos da AD.

Na história da democracia portuguesa, a censura do parlamento ao Governo já foi rejeitada por 35 vezes e apenas uma foi aprovada: em 04 de abril de 1987, a apresentada pelo PRD ao X Governo Constitucional do PSD, liderado pelo primeiro-ministro Cavaco Silva, que viria a alcançar a maioria absoluta nas eleições nesse mesmo ano.