Pé perdido de esqueleto da Idade da Pedra pode revelar amputação mais antiga
Segundo os arqueólogos, a pessoa parece ter vivido cerca de seis a nove anos depois de perder o membro.
O esqueleto de 31.000 anos de um jovem adulto encontrado numa caverna na Indonésia sem o pé esquerdo e parte da perna esquerda revela a evidência mais antiga conhecida de uma amputação, de acordo com um novo estudo.
Os cientistas dizem que a amputação foi realizada quando a pessoa era criança e que o "paciente" passou a viver durante anos como amputado. A cirurgia pré-histórica pode mostrar que os humanos estavam a fazer avanços médicos muito antes do que se pensava, de acordo com o estudo publicado na revista Nature.
Os investigadores estavam a explorar uma caverna em Bornéu, numa região da floresta tropical conhecida por ter algumas das primeiras artes rupestres do mundo, quando encontraram o túmulo, disse Tim Maloney, arqueólogo da Universidade Griffith, na Austrália e investigador principal do estudo.
"Embora grande parte do esqueleto estivesse intacto, faltava o pé esquerdo e a parte inferior da perna esquerda", explicou o arqueólogo. Depois de examinar os restos mortais, os cientistas concluíram que os ossos do pé não estavam em falta no túmulo ou perdidos num acidente, estes tinham sido removidos cuidadosamente.
"O osso restante da perna mostra um corte inclinado e limpo que cicatrizou." disse Tim Maloney. Acrescentando que "não havia sinais de infeção, o que seria esperado se a criança tivesse a perna mordida por uma criatura como um crocodilo. E também não havia sinais de uma fratura esmagadora, o que seria esperado se a perna tivesse sido partida num acidente."

Segundo os arqueólogos, a pessoa parece ter vivido cerca de seis a nove anos depois de perder o membro, eventualmente acabando por morrer de causas desconhecidas como um jovem adulto. Isso mostra que as pessoas na pré-históricas sabiam o suficiente sobre medicina para realizar a cirurgia sem perda de sangue ou infeção fatal, concluíram os autores.
Os investigadores não sabem que tipo de ferramenta foi usada para amputar o membro ou como foi evitada a infeção, mas especulam que uma ferramenta de pedra afiada pode ter feito o corte e apontam que algumas das ricas plantas da região possuíssem propriedades medicinais.
Além disso, a comunidade teria que cuidar da criança durante anos, já que sobreviver ao terreno acidentado como amputado não teria sido fácil.

Esta cirurgia precoce "reescreve a história do conhecimento e desenvolvimentos médicos humanos", disse Tim Maloney.
Antes dessa descoberta, o primeiro exemplo de amputação, de que há registo, tinha ocorrido num agricultor francês há 7.000 anos atrás, que teve parte de seu antebraço removida.
Os cientistas pensavam que as práticas médicas avançadas tinham sido desenvolvidas há cerca de 10.000 anos, quando os humanos se estabeleceram em sociedades agrícolas.
"Mas este estudo acrescenta evidências de que os humanos começaram a cuidar da saúde uns dos outros muito mais cedo na história.", disse Alecia Schrenk, antropóloga da Universidade de Nevada, em Las Vegas, que não esteve envolvida no estudo. Acrescentando que "há muito que se pensava que a saúde era uma invenção mais recente. Mas este artigo demonstra que os povos pré-históricos não foram deixados à própria sorte."
