Pedidos de reapreciação de exames triplicam em relação a 2025

Ministro da Educação revela que há "mais de 20 mil pedidos de reapreciações" e ministério está a contar com um pico nos alunos que, por terem obtido 9,4 valores, ficaram a uma décima da aprovação.

Os pedidos de reapreciação das notas dos exames nacionais do ensino secundário já passaram os 20 mil, sendo três vezes mais do que no ano passado, segundo dados revelados hoje pelo ministro da Educação.

No ano passado, foram reapreciadas cerca de 6.200 provas da 1.ª fase, mas este ano já deram entrada "mais de 20 mil pedidos de reapreciações”, anunciou hoje o ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, atribuindo este aumento "ao novo modelo de classificação".

Pela primeira vez este ano, as provas foram digitalizadas e os professores deixaram de classificar os exames completos, passando a ter acesso apenas a um dos itens da prova.

Mais de 20 mil notas terminaram este ano em 0,4 valores, o que para o ministro Fernando Alexandre se torna "uma tentação grande em pedir a reapreciação da prova".

Segundo dados da tutela, houve 2.400 alunos cuja classificação final foi de 9,4 valores, sendo expectável o pedido de reapreciação, uma vez que falta apenas uma décima para terem aprovação.

"No ano passado não tínhamos praticamente nenhuma nota entre os 9 e os 9,5 valores, porque era um professor só a corrigir os exames. Agora, como somamos as várias respostas que compõem o exame e cada classificador faz a classificação sem ter a visão global do exame, o que resulta numa avaliação mais objetiva", há mais notas que ficam a poucas décimas da aprovação (com 9,5 valores o aluno fica aprovado), disse o ministro na segunda-feira.

Esta teoria é diferente da defendida por diretores e professores que alertaram para um eventual aumento de pedidos de reapreciações, tendo em conta os muitos relatos de respostas trocadas ou de folhas de continuidade em falta.

O número de pedidos de reapreciação é já mais do triplo do registado no ano passado, mas ainda poderá aumentar, porque está a decorrer o prazo para a reapreciação de provas dos alunos que tiveram acesso às provas mais tarde.

Segundo o ministro da Educação, hoje de manhã ainda havia “dezenas” de estudantes sem acesso à sua nota.

Os problemas com a avaliação em formato digital registou várias falhas técnicas, obrigando ao adiamento por alguns dias da divulgação das notas, que foram afixadas apenas na noite de 17 de julho.

Milhares de alunos tiveram de esperar mais alguns dias para saber os resultados. Hoje, ainda há algumas "dezenas" sem saber a sua nota, mas Fernando Alexandre voltou a garantir que "nenhum aluno será prejudicado" no aceso ao ensino superior nem na conclusão do secundário.